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Meirelles: ataque à inflação depende da China

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, admitiu ontem que, se a China não adotar medidas para conter a demanda interna, o custo do combate à inflação no Brasil e nos demais países será maior. Se a China não se mover, aumentará o custo, inclusive para a própria China, disse ele, durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), do Senado.

Agência Estado |

"Vamos aguardar o que vai acontecer depois das Olimpíadas", aconselhou, numa referência ao evento esportivo em Pequim, entre 8 a 24 de agosto. A frase revela que o presidente do BC, da mesma forma que vários analistas do mercado, mantêm a expectativa de que o governo chinês adote medidas para desacelerar o crescimento, como já fizeram outros países que recentemente elevaram os juros.

Meirelles respondia a um a indagação do presidente da CAE, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que quis saber se é possível reduzir a demanda mundial e, assim, controlar a inflação sem o auxílio da China. Mercadante lembrou que a demanda chinesa é uma das principais responsáveis pelo atual choque de preços das commodities agrícolas, de metais e petróleo. "Sim, é possível, pois não é apenas lá que a demanda está crescendo", respondeu Meirelles.

Mercadante retrucou: "Mas metade do aumento da demanda por petróleo é de responsabilidade chinesa; a China também é a principal responsável pelo aumento da demanda por cimento, por produtos siderúrgicos, entre outros".

O senador petista repetiu um raciocínio vigente no Ministério da Fazenda e em outros setores do governo, segundo o qual, como a inflação decorre, em grande medida, de um choque externo de grandes proporções, de pouco adiantará o governo brasileiro adotar medidas fortes e de forma isolada, pois o surto inflacionário não será debelado. O resultado das medidas, segundo essa visão, será apenas a redução do crescimento do Brasil, com os demais países mantendo suas taxas de expansão e a inflação sendo mantida em nível elevado.

Essa é uma das principais discussões no governo, com o BC defendendo que, embora o estímulo principal da subida dos preços venha do exterior, a forte demanda interna está permitindo um repasse da inflação para outros setores, o que precisa ser evitado. "É preciso que haja uma coordenação entre os bancos centrais para que o custo do combate à inflação seja o menor possível", disse Mercadante ao presidente do BC.

Meirelles concordou que, se houver coordenação dos bancos centrais, o trabalho será facilitado e o custo para a população será menor. Ele próprio foi um dos primeiros a pedir uma ação firme dos bancos centrais contra a inflação, em entrevista ao jornal inglês Financial Times, no mês passado.

Ontem, aos senadores, Meirelles procurou mostrar que, se o governo chinês não adotar medidas de controle da demanda, criará desequilíbrios que dificultarão o crescimento econômico do próprio país. "Todos vão pagar o preço (pela não adoção de medidas para reduzir a demanda mundial), inclusive a própria China."

A opção do Brasil, reafirmou Meirelles, ontem, é pelo combate firme à inflação. "O Banco Central entende que não há vantagens em se conviver com taxa de inflação elevada", disse. "O Banco Central saberá responder vigorosamente às mudanças dos cenários de inflação e adotar os procedimentos para que a inflação volte ao centro da meta em 2009."

Meirelles fez questão de não deixar dúvidas sobre o seu objetivo: "O Banco Central vai mirar o centro da meta fixada para 2009 (4,5%)". O mercado estima que a inflação deste ano ficará muito próxima a 6,5%, o limite superior da margem de tolerância da política de metas de inflação.

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