Um dia depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmar que a camada de pré-sal na Bacia de Santos é patrimônio do povo brasileiro e não pode ficar na mão de meia dúzia de empresas, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, reforçou o tom nacionalista. Apontada como a favorita de Lula à sucessão presidencial de 2010, Dilma disse que a diretriz do presidente em relação às novas regras de exploração do petróleo atenderá aos interesses do Brasil para permitir a melhoria da qualidade de vida da população.

"A chamada maldição do petróleo não nos afetará", garantiu Dilma, em referência à "teoria" segundo a qual os países detentores desses recursos têm baixa industrialização e péssimos índices de educação. "Não somos um país qualquer", insistiu, ao lembrar que o Brasil tem um processo de industrialização da economia em curso.

Mesmo sem se referir a mudanças na Lei do Petróleo, Dilma não deixou dúvidas sobre as alterações no modelo do setor. Fazendo coro com o presidente, que chegou a mencionar a necessidade de priorizar a reparação aos mais pobres na distribuição da riqueza, a ministra bateu na tecla da inclusão social.

"O princípio que vai nortear o governo no uso (do petróleo) é o de tomar todas as medidas para transformar esse grande recurso do pré-sal numa fonte que vai permitir aos brasileiros terem melhoria de educação (...) para que avencemos em direção à sociedade do conhecimento", disse Dilma. "Essa é a diretriz estratégica fundamental: a quem servirá esse imenso recurso que transformará o Brasil de país importador de petróleo num país que pode vir a ser um dos grandes exportadores e com posicionamento num mundo diferenciado."

Dilma fez as declarações após cerimônia de sorteio de 50 municípios que terão as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) fiscalizadas pela Controladoria-Geral da União (CGU), na esteira da Operação João de Barro, da Polícia Federal, que detectou irregularidades em convênios. Lula gostou dos comentários de Dilma, que deram continuidade ao discurso feito por ele anteontem, na sede da União Nacional dos Estudantes (UNE).

A chefe da Casa Civil só permitiu uma pergunta aos jornalistas, e em nenhum momento disse como ficarão os contratos de concessão nem como será distribuída a riqueza gerada pela indústria petrolífera. Há uma disputa entre vários setores do governo sobre qual deve ser o modelo adotado. Uma das propostas prevê a criação de uma estatal para cuidar somente da exploração do petróleo na camada de pré-sal, mas a Petrobras não quer perder esse filão.

Para Dilma, a descoberta da camada pré-sal fará com que o Brasil transforme essa riqueza "num grande benefício" à população. A ministra disse, ainda, que o Brasil poderá ter avanços significativos na indústria naval e na produção de equipamentos e materiais para a indústria petrolífera. "Na verdade, o pré-sal é uma conquista também da inteligência brasileira, que foi capaz de fazer pesquisas em grandes profundidades na bacia sedimentar brasileira."

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