Quando as ações das companhias do setor começaram a despencar, o que aconteceu a partir do fim do ano passado, o desânimo foi geral. As empresas viram na fusão uma saída para tentar recuperar o valor e atrair investidores - afinal, é mais fácil escolher entre 10 do que entre 20 empresas.

Mas elas estão descobrindo agora que a conta não é tão simples. "Os efeitos da fusão no valor de mercado são incertos. Um mais um nem sempre dá dois", afirma o presidente do banco de investimentos do UBS Pactual, Rodolfo Riechert. "Eu não vejo sentido nas fusões entre empresas iguais (que têm tamanho e atuação parecidas). Quem está no setor não está disposto a pagar um prêmio para comprar. O que vamos ver são fusões e aquisições entre empresas que se complementam."

Para ele, essas empresas vão acabar tomando caminhos como o da Tecnisa e o da Even - em abril, ela também conseguiu uma linha de R$ 475 milhões para construção e compra de terrenos. "As empresas não vão ter problemas de caixa. Elas vão conseguir financiamento e continuar tocando o negócio.", diz Riechert.

Todas essas limitações têm deixado as companhias mais cautelosas. No ano passado, houve uma corrida de compra de terrenos. Muitas pagaram caro e quase não se fez permuta. Neste ano, a história é outra. As permutas voltaram. Na Helbor, o índice de permuta subiu de 15% para 35%. "Não concorremos pelos mesmos terrenos da Cyrela. Compramos terrenos menores, mais fáceis de fazer permuta", diz o vice-presidente da Helbor, Henry Borenstein. A Tecnisa, que pagou 90% dos seus terrenos atuais em dinheiro, quer aumentar a parcela de trocas. "O que me parece é que o mercado está mais conservador", diz o diretor de relações com o investidor da Tecnisa, Leonardo Paranaguá.

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