O empresário Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), considera melhor fechar as negociações da Rodada Doha com um avanço modesto agora do que ficar num impasse que não chega a lugar nenhum. Acho que existe um relativo consenso sobre isso dentro do Brasil, diz Camargo Neto, que participou da abertura da Rodada, em dezembro de 2001, quando era secretário de Produção do Ministério da Agricultura.

"Aqui, todo mundo já aceitou reduzir a ambição".

Qual é a sua expectativa em relação à atual tentativa de fechar a Rodada Doha?
O governo sinalizava um certo otimismo de que fechava. Portanto, nós estávamos nessa linha de que fechava com um avanço modesto. Existe uma avaliação de que é melhor encerrar com um avanço modesto agora e virar a página do que ficar nesse impasse que não leva a lugar nenhum. Eu vejo sinais de dificuldades para todos os lados e acho que não se chega a um acordo nesta semana.

Mesmo assim, há condições para se fechar esse acordo que o sr. chama de modesto?
Existem pontos que precisam ser definidos, relativos ao acessos a mercados na União Européia e a redução dos subsídios nos EUA. Tem a contrapartida da redução das tarifas industriais dos países em desenvolvimento, que eles (os desenvolvido) querem tudo e mais um pouco . E alguns países, como a Índia e a Argentina, falam: nós não baixamos nada.

Na sua avaliação, qual é a posição do Brasil?
Eu não acho que o decisivo esteja com o Brasil. O País está pronto a aceitar esse avanço modesto. O ministro (das Relações Exteriores, Celso) Amorim, que gosta de frases, e às vezes quebra a cara com elas, disse o seguinte: carro usado por preço de carro usado eu topo. Então, acho que o que o País não topa é pagar muito em tarifas industriais e receber pouco no acesso a mercados e redução dos subsídios agrícolas. Pouco com pouco, ele topa. Acho que existe um relativo consenso dentro do Brasil, no setor industrial e agrícola, de que é melhor pegar uma conclusão modesta a ficar com grande erudição. Todo mundo já aceitou reduzir a ambição.

O sr. acredita que a conclusão da rodada será positiva para o País?
Acho que uma rodada que tem um avanço modesto em acesso, um avanço modesto em subsídio, não tenha retrocesso, e uma contrapartida no acesso industrial que o setor industrial brasileiro esteja satisfeito, é uma rodada modesta. Não quero falar medíocre, que é uma conotação negativa. Quando isso começou, em 2001, em Doha, eu era secretário da Agricultura e estava lá, existia expectativa de avanços substanciais. Hoje, sete anos depois, não tem nada substancial, só modesto.

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