No dia 12 deste mês, o presidente mundial da Mabe, Luis Berrondo, foi surpreendido com uma mudança na regra de tributação das máquinas de lavar no Brasil. As máquinas de lavar roupa com capacidade de acima de 15 quilos deixaram de ser isentas e passaram a ter Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de 20%.

A decisão do governo afetou, pela segunda vez consecutiva, a companhia que fabrica lavadoras desse porte.Apesar da mudança de regra, Berrondo continua otimista com o País e diz que a decisão do governo "foi um episódio isolado que favoreceu um competidor". A seguir os principais trechos da entrevista.

Não há riscos de investir no Brasil? O governo passou a tributar as lavadoras acima de 15 quilos.
É a segunda vez que mudam a faixa de isenção de IPI para as lavadoras em quatro anos. Quando chegamos no Brasil, as lavadoras com capacidade superior a 10 quilos eram isentas de IPI. Então, lançamos uma lavadora para mais de 10 quilos. Dois anos depois, mudaram a faixa de isenção para acima de 15 quilos e nós redesenhamos o produto. A nossa lavadora consome menos água, energia e tem capacidade para lavar mais de 15 quilos de roupa. A mudança na tributação ocorrida neste mês foi uma decisão isolada de governo, que favoreceu um competidor. Não avaliamos o fim da isenção do IPI como um risco ao investimento.

O sr. acha que hoje é um bom momento para investir no Brasil?
Entramos aqui no final de 2003. O Brasil é o país com maior potencial de crescimento da América Latina.

Dos BRICs, qual é o país mais importante para a Mabe?
Brasil e Rússia. Mas temos mais afinidades com o Brasil.

A Mabe está na China?
Não. Estamos iniciando operações na Rússia. A China é importante como provedora de componentes.

O Brasil deu lucro em 2007?
Sim, mas não revelamos a cifra.

Como o sr. vê o boom imobiliário no Brasil, já que o México passou por processo semelhante?
A classe média brasileira aumentou por causa do crescimento do País e da queda dos juros, que permite comprar a prazo.

Quanto a Mabe cresceu no México com o boom imobiliário?
Dobramos de tamanho nos últimos oito anos, o que coincide com a estabilidade econômica.

O sr. acha que será possível para a companhia dobrar de tamanho no Brasil?
Já dobramos de tamanho entre 2004 e 2007.

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