BRASÍLIA - Ao relembrar as discussões e a participação do Brasil na reunião de cúpula do G-8 - grupo dos sete países mais industrializados do mundo e a Rússia, ocorrido no Japão na última semana - o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que fez questão de ressaltar aos parceiros presidentes a necessidade de a questão ambiental deixar de ser discutida de forma genérica.

O presidente destacou que 64% das florestas brasileiras estão intocáveis, enquanto um estudo mostra que dos 28 bilhões de toneladas de gás carbônico emitidas na atmosfera em 2005, os Estados Unidos, sozinhos, foram responsáveis por 21% e a China, por 18%.

De acordo com Lula, o Brasil possui 85% de energia elétrica limpa, além de um estoque de 46% de energia renovável. Ele lembrou que o país já usa 25% de etanol na gasolina comercializada e 2% de biodiesel no óleo comercializado.

E as pessoas não querem discutir números. Eu quero discutir números, porque o Brasil, neste aspecto, é um dos países que menos polui. Os países que estão se industrializando agora têm menos responsabilidade. Senão, fica um debate genérico, os ricos tentando jogar a culpa em cima dos pobres, dizendo que os biocombustíveis são responsáveis pelo preço dos alimentos e pela poluição.

A segurança alimentar, segundo Lula, também é discutida genericamente pelos líderes do G-8. Ele acredita em uma especulação do alimento e, ao rebater as acusações que recaem sobre os biocombustíveis, questionou qual o real custo do petróleo nos preços dos alimentos.

Lula comentou ainda a recém-aprovada lei de imigração européia e destacou que coisas que são do interesse do Brasil e de outros países mais pobres também deveriam ter entrado na pauta de discussões da cúpula. Segundo ele, a União Européia tem aprovado, cada vez mais, leis que dificultam a vida dos imigrantes pobres.

Fiz questão de dizer pra eles [líderes de Estado] que quero que os brasileiros tenham, no exterior, o tratamento que nós damos aqui aos estrangeiros. O que nós queremos é que os brasileiros lá fora sejam tratados com respeito, levando em conta a questão dos direitos humanos, e não tratados como se fossem delinqüentes.

(Agência Brasil)

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