Washington, 5 dez (EFE).- Os Estados Unidos perderam em novembro 533 mil empregos, o maior número desde 1974, em uma nova mostra da grave recessão do país, com uma alta das execuções hipotecárias e o futuro da indústria automobilística nas mãos do Congresso.

O índice de desemprego subiu 0,2 ponto, para 6,7%, o mais alto desde outubro de 1993, depois que a perda de 540 mil postos de trabalho no setor privado foi levemente aliviada por um aumento de sete mil empregos governamentais.

Entre janeiro e novembro, os EUA perderam 1,91 milhão de empregos. A maioria dos analistas tinha calculado uma perda de 350 mil em novembro e um índice de desemprego de 6,8% .

O Escritório Nacional de Pesquisa Econômica, um grupo privado, indicou oficialmente que os EUA entraram em recessão em dezembro de 2007.

Doze meses mais tarde, segundo o grupo, essa é a recessão mais prolongada desde a que acabou em novembro de 1982, e que durou 16 meses.

Os dados do Departamento do Trabalho geraram quedas em Wall Street.

Hoje, em uma declaração pública, o presidente George W. Bush reconheceu que os números do emprego demonstram que a economia do país "está em recessão".

"Isso se deve principalmente aos problemas severos em nosso setor imobiliário, e aos mercados financeiros e de crédito, que fizeram com que se perdesse um número de postos de trabalho significativo", explicou.

"Agora, estamos concentrados em atacar a raiz das causas dessa recessão, para voltar a ter uma economia saudável", apontou.

O presidente eleito americano, Barack Obama, disse que "os 533 mil empregos perdidos em novembro, o pior mês em 34 anos, é mais que um reflexo dramático da crescente crise econômica".

"Cada um desses empregos perdidos representa uma crise pessoal para uma família em algum lugar dos EUA", frisou Obama, que anunciou um plano para a proteção e criação de 2,5 milhões de postos de trabalho para os dois anos depois que ele iniciar seu Governo, em 20 de janeiro.

"A cada dia parece que o plano de estímulo econômico terá que ser maior", assinalou Bill Samuel, porta-voz da central sindical AFL-CIO. "Já se mencionam US$ 500, US$ 600, US$ 700 bilhões ou ainda mais", acrescentou.

Jay Brinkmann, economista principal da Associação de Bancos de Hipotecas, apontou o crescente desemprego como um dos fatores que levou a taxa de atraso de pagamentos em empréstimos hipotecários a níveis sem precedentes.

A associação informou hoje que quase 3% de todas as hipotecas estão em trâmite de execução. No caso dos empréstimos hipotecários de alto risco, mais de 19,5% registram demoras de mais de 30 dias nos pagamentos.

No setor manufatureiro, o mês passado viu o desaparecimento de 85 mil empregos após uma perda de 104 mil no mês anterior. Os analistas esperavam uma queda de 100 mil postos de trabalho fabris.

Quando foi publicado o relatório do Departamento do Trabalho, os principais executivos da General Motors, da Ford e da Chrysler, além do presidente do sindicato de trabalhadores da indústria automobilísticas participavam, pelo segundo dia, de uma audiência do Congresso sobre a ajuda às montadoras.

Enquanto o setor imobiliário se encontra na pior crise em sete décadas, na construção houve em novembro uma perda de 82 mil empregos, após uma de 64 mil no mês anterior.

O setor financeiro, castigado por quebras, fechamentos e fusões, registrou em novembro uma perda líquida de 32 mil empregos após uma de 31 mil em outubro.

O setor de serviços, que em outubro tinha perdido 153 mil postos de trabalho, em novembro eliminou outros 370 mil.

Dois setores tiveram um aumento do emprego: os serviços de educação e saúde contrataram 52 mil pessoas mais e o emprego governamental cresceu sete mil. EFE jab/rr

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