Os analistas costumam dizer que o varejo é um dos últimos a sentir os efeitos de uma retração na economia. Mas nessa crise a ressaca veio antes.

Dados Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio) mostram que as vendas do comércio varejista na região metropolitana caíram 7,4% no último trimestre de 2008, na comparação com igual período de 2007. Em dezembro, o varejo da região vendeu 6,8% menos do que no mesmo mês do ano passado.

Apesar da queda, no ano houve crescimento de 1,7%. Os dados são da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV). As maiores quedas em dezembro foram nas concessionárias de veículos (13,7%) e no setor de supermercados (9,2%). A queda de confiança do consumidor foi o que mais pesou nos índices. Também houve redução de vendas no comércio e de material de construção (1,2%), lojas de eletrodomésticos e eletroeletrônicos (8%), lojas de autopeças (6,5%) e lojas de departamentos (6,1%).

Segundo Fabio Pina, economista da Fecomércio, a expectativa para o fim de ano era outra. Com a massa de salários em ascensão e a oferta de crédito constante, o setor esperava que as vendas mantivessem a trajetória de alta. "Ninguém contava que a crise contaminasse justamente a confiança do consumidor", comenta.

Pina acredita que a tendência de baixa se reverterá. "As pessoas vão perceber que o mundo não acabou e voltarão a consumir. É o que vimos em janeiro com os carros, por exemplo", afirma. O economista trabalha com a possibilidade de recessão, mas descarta que o Brasil viva períodos de depressão econômica. Segundo seus cálculos, o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer de 1% a 2%.

Sussumu Honda, presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), prevê crescimento das vendas de 5% para janeiro. Em 2008, o faturamento aumentou 9%. "Supermercados e indústria estão mais agressivos nas promoções. Mas o setor não passará ileso à crise. Para este ano a previsão é crescer 2,5%", calcula. Segundo Honda, o consumo deverá encolher principalmente entre os consumidores das classes C e D, que nos últimos anos tiveram ganho de poder aquisitivo. "Congelados, embutidos, derivados do leite poderão ter um recuo de vendas." Em janeiro, as vendas de carne bovina encolheram 10%.

A Associação Paulista de Supermercados (Apas) calcula, segundo o diretor Martinho Paiva Moreira, que as vendas de janeiro deverão ter um crescimento real (descontada a inflação) de 4,5%, metade do que a entidade previa antes de a crise atingir o varejo. "O desempenho do primeiro mês do ano será bom dentro de uma expectativa conservadora", diz Moreira.

O período mais crítico, segundo Moreira, deverá ser entre junho e julho deste ano, época de férias escolares. "A única certeza até agora é que cresceremos menos do que em 2008", lamenta.

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