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SÃO PAULO - O desempenho do setor automotivo em janeiro não foi exatamente o que se esperava, segundo avaliação do presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Sérgio Reze. O executivo chama particularmente a atenção para a queda nas vendas de caminhões (-24,45%), ônibus (-35,33%) e motos (-13,47%) no primeiro mês do ano sobre dezembro.

Segundo o executivo, as vendas de caminhões refletem o real tamanho da crise, já que mostram uma desaceleração da economia. "Muitas empresas estão adiando a compra porque não sabem exatamente qual vai ser a demanda neste ano", afirma. Reze lembrou que os meses de novembro, dezembro e janeiro são fracos para esse segmento, mas ressalta que a queda de janeiro foi mais acentuada que o normal.

Já no caso de motos, a queda reflete o crédito mais seletivo dos bancos para um perfil de consumidor de menor renda. "É um segmento que tem mais dificuldades em conseguir aprovação de crédito", explica.

O aumento de 3,16% nas vendas do segmento de automóveis e comerciais leves, na comparação com dezembro, ressalta o executivo, foi influenciado pelo represamento de vendas de dezembro refaturadas pelas montadoras por conta da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

O presidente da Fenabrave defendeu ainda medidas para "destravar o crédito", como um seguro-desemprego para os tomadores do financiamento. "Isso é muito comum em outras operações, mas não é usado no financiamento de veículos", afirma.

Embora já tenha se reunido com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, Reze reclamou que a entidade não foi chamada ainda para reuniões do comitê de crise formado pelo governo federal para debater os efeitos da crise.

Apesar de não aprofundar que tipo de medida a entidade considera que poderia ter efeito positivo sobre as vendas de veículos, o executivo citou medidas adotadas nos Estados Unidos no sentido de deduzir do Imposto de Renda os juros dos financiamentos de carros. "É uma boa medida, mas serão necessários outros tipos de incentivo para barrar a queda nas vendas nos Estados Unidos", disse.

Reze informou ainda que a entidade deverá divulgar novas projeções para o setor em abril, mas adiantou que há um risco de que as vendas de veículos registrem queda em 2009. O executivo afirmou ainda que no setor de distribuição, que emprega 270 mil pessoas, não há necessidade de demissão. Ele explica que as concessionárias continuam realizando serviços de pós-venda, apesar de venderem menos carros. "Além disso, o vendedor recebe comissão e se ele vender menos vai receber menos", lembra.