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Queda da produção industrial traça cenário preocupante no 1º trimestre, aponta Iedi

A queda da produção industrial em novembro, divulgada hoje pelo IBGE, aponta para um cenário preocupante da atividade para o início deste ano. A avaliação é do economista do Instituto de Estudos Para o Desenvolvimento Indústria (Iedi) Rogério César de Souza.

Agência Estado |

De acordo com o IBGE, a produção industrial caiu 5,2% em novembro ante outubro, a maior retração desde maio de 1995. "É verdade
que esses números assustam", reconheceu.

Segundo o economista, o recuo da produção industrial espelha um processo de  ajuste frente ao quadro recessivo no exterior e ao desaquecimento da demanda interna.

O que mais preocupa, aponta Souza, é o fato de que as maiores quedas foram protagonizadas justamente pelos até então carros-chefe da produção  industrial: os bens duráveis e de capital, dois setores extremamente dependentes de crédito. "Não são os demais setores, que já estavam apresentando evolução negativa, que vão tomar a liderança desse processo agora", ressaltou, citando exemplos como vestuário e calçados.

O economista descarta uma retomada imediata do crédito, o que eleva o temor com a indústria. "Teremos um primeiro trimestre preocupante. Bastante preocupante", frisou.

Neste contexto, ele espera novos resultados negativos em dezembro e em janeiro, mesmo com os fatores sazonais que favorecem uma queda da produção  industrial no início do ano. "Tirando esses efeitos, é de se esperar que o produto físico da indústria caia", disse, e acrescentou: "Podemos terminar o trimestre com uma taxa negativa".


Esse quadro terá uma repercussão sobre o Produto Interno Bruto (PIB), destaca Souza. Ele prevê uma taxa de crescimento "bastante ínfima" para a economia nos três primeiros meses do ano. O economista explicou que o primeiro trimestre depende, por um lado, do comércio externo, e de outro, da manutenção do emprego e do incentivo dos investimentos internos.

O primeiro pilar já está abalado, avaliou, chamando atenção para os dados da balança comercial. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o superávit da balança comercial brasileira de 2008, de US$ 24,735 bilhões, foi o mais baixo registrado desde 2002, quando somou US$ 13,122 bilhões.

Na divulgação dos números, na semana passada, o secretário de
Comércio Exterior do Ministério, Welber Barral, destacou que o período entre janeiro e outubro foi "excepcional", mas que "em novembro e dezembro, tivemos meses trágicos para o mundo".

O economista do Iedi apontou para os investimentos para estimular a economia e evitar o desemprego. Ele ressaltou que os últimos dados de trabalho, referentes ao mês de novembro, indicam que o emprego manteve-se firme naquele mês.

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado no fim de dezembro pelo Ministério do Trabalho, apontou uma queda de 0,13% no número de empregos em novembro ante outubro de 2008. 

Para Souza, esse resultado não contrasta com a produção industrial, já que os empresários lançam mão de alternativas como corte de turnos e férias coletivas antes de demitir. "Mas isso se sustenta pouco se a expectativa do empresariado é de que esse cenário só tende a piorar".

O economista acredita que os primeiros sinais de aumento do desemprego podem começar a aparecer em dezembro. Mas é em janeiro que deve haver uma queda de fato do emprego, influenciada em parte por efeitos sazonais.

Para suavizar o cenário, o Souza dá duas receitas: elevar os gastos produtivos do governo e reduzir a taxa de juros. "Se o governo incentivar os investimentos, ele puxa os do setor privado também. O setor privado vai olhar as oportunidades, os custos de oportunidade. Um deles é a taxa de juros", avaliou.  

O economista acredita que os indicadores recentes justificam "pelo menos" um corte de 0,5 ponto porcentual da taxa básica de juros (Selic).

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