SÃO PAULO - O presidente da Vale, Roger Agnelli, revelou hoje que a redução da demanda chinesa foi a principal razão para o corte de 30 milhões de toneladas anuais na produção de minério de ferro da companhia. De acordo com Agnelli, o crescimento do país asiático deve desacelerar de 12% para 8% em função da crise internacional, afetando empresas exportadoras para o mercado chinês.

"Eles estão cortando compra de todo mundo, não é só da Vale. É brutal a redução de ritmo", frisou Agnelli, que participou da divulgação do prêmio Brasileiro Imortal, na sede da Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio de Janeiro.

O executivo fez questão de frisar que não há embate com as siderúrgicas chinesas por conta da tentativa da mineradora de obter um reajuste extra para o minério de ferro, depois que as empresas australianas obtiveram percentuais de aumento superiores ao obtido pela companhia brasileira no começo do ano. "Não temos nenhum embate com a China", afirmou. "Eles não são obrigados a comprar da Vale e também não somos obrigados a vender para eles", acrescentou.

Agnelli não descartou que os chineses queiram tentar voltar atrás no reajuste dado aos australianos.

"Não sei se eles (chineses) estão querendo na realidade voltar atrás no preço que eles concederam para os australianos. Então dizem que tudo está parando, que tudo vai acabar. Isso aí é dia-a-dia", disse o executivo.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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