O Banco de investimentos Lehman Brothers pediu concordata, e o Bank of America comprou o Merrill Lynch de emergência, em mais um dramático capítulo da crise financeira americana, que arrastou as Bolsas por todo o planeta.

O Federal Reserve (FED, o Banco Central americano), o Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e o Banco Central suíço injetaram dezenas de bilhões de dólares nos mercados monetários após a queda dos gigantes bancários, levados pelos financiamentos em massa de maus empréstimos.

Lehman Brothers, nascido há 158 anos, recorreu nesta segunda-feira ao capítulo 11 da Lei de Falências, após um final de semana de frenéticas negociações, que fracassaram.

Nesse contexto, Bank of America comprou o banco de investimentos americano Merrill Lynch por 50 bilhões de dólares, e um consórcio de dez bancos criou um fundo mundial de emergência de 70 bilhões de dólares. Com a compra do Lynch, o Bank of America se torna a maior empresa de serviços financeiros do mundo.

Já o gigante de seguros AIG foi autorizado hoje a tomar 20 bilhões de dólares em empréstimos de suas filiais para evitar o colapso.

Apesar de os Bancos centrais tentarem enviar uma mensagem de tranqüilidade, Wall Street mergulhou (Dow Jones, -4,42%; e Nasdaq, -3,60%), após um efeito dominó sobre as Bolsas européias e asiáticas.

Na América Latina, São Paulo afundou 7,59%, México perdeu 3,79% e Buenos Aires cedeu 5,18%.

O dólar ficou estável diante da moeda única européia, a 1,4227 dólar por euro, enquanto o petróleo caiu a 92,38 dólares em Londres e a 95,71 dólares em Nova York.

Os papéis do Lehman em Wall Street eram cotados pela bagatela de 0,24 dólar, após perder 94%. Há um ano, a mesma ação valia 60 dólares.

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, garantiu que seu governo está empenhado em reduzir o impacto da crise: "em longo prazo, estou confiante na flexibilidade e na resistência dos mercados financeiros e em sua capacidade para enfrentar esses ajustes".

As autoridades americanas, que se comprometeram na semana passada a injetar 200 bilhões de dólares para manter de pé os organismos hipotecários Fannie Mae e Freddie Mac, decidiram não colocar mais dinheiro para socorrer o Lehman.

Sem garantia do Estado, os eventuais compradores do Banco correram, diante do anúncio de dívidas de 613 bilhões de dólares e de ativos de 639 bilhões.

Hoje, o FED fez duas operações de emergência, concedendo um total de 70 bilhões de dólares aos Bancos.

O Banco Central Europeu injetou 30 bilhões de euros (43 bilhões de dólares) em outros mercados monetários após o colapso de Lehman, e o Banco da Inglaterra soltou outros 5 bilhões de libras (6,3 bilhões de euros ou 9 bilhões de dólares) nos mercados monetários a curto prazo.

O secretário do Tesouro, Henry Paulson, garantiu hoje que o sistema bancário é "saudável e sólido" e que "os americanos podem ficar muito, muito confiantes no que se refere a suas contas bancárias".

Os analistas acreditam que a decisão do Lehman de pedir concordata afetará uma série de empresas que trabalhavam com o gigante de Wall Street e deverá piorar a contração creditícia mundial.

A 50 dias da eleição presidencial americana, a crise financeira provocou polêmica entre os principais candidatos.

O candidato democrata à presidência dos EUA, Barack Obama, pediu "uma regulamentação que proteja os investidores e os consumidores", mas seu adversário republicano, John McCain, mostrou-se confiante nos "fundamentos sólidos da economia americana".

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