A quebra do banco de investimentos Lehman Brothers elevou drasticamente o temor sobre a saúde do sistema bancário americano e provocou a maior queda das bolsas de valores globais desde 11 de setembro de 2001, data do ataque terrorista às torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York. A percepção dos investidores é que a crise está longe do fim e deve engolir outras instituições importantes no meio do caminho.

"Se fosse um jogo de futebol, diria que acabamos de assistir à execução dos hinos nacionais", comparou um diretor de um grande banco estrangeiro.

O Índice Dow Jones, o mais importante da Bolsa de Nova York, caiu 4,42% e a bolsa eletrônica Nasdaq, 3,60%. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) despencou 7,59%, puxado pelas ações da Petrobrás, da Vale e dos bancos. A expectativa de forte desaceleração da economia mundial derrubou as cotações das commodities. Pela primeira vez desde março, o petróleo fechou abaixo de US$ 100 na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex).

Dos cinco maiores bancos de investimentos dos EUA, três já sucumbiram aos problemas decorrentes da crise das hipotecas de alto risco (subprime): Bear Stearns (era o 5º do ranking), que em março foi vendido para o JP Morgan; Lehman Brothers (4º), que entrou ontem de manhã com pedido de recuperação judicial; e Merrill Lynch (3º), que no fim de semana foi vendido para o Bank of America (BofA), o maior dos EUA. O líder entre os bancos de investimentos é o Goldman Sachs, seguido pelo Morgan Stanley.

O mercado está especialmente preocupado com a AIG, a maior seguradora americana. Teme-se o tamanho de sua exposição aos papéis lastreados em hipotecas subprime. As ações da empresa perderam quase 61% ontem.

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