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SÃO PAULO - A petroquímica Quattor nasceu às vésperas da crise, em junho de 2008, com o início da consolidação de ativos da Unipar e da Petrobras no segmento. Mas ainda que o cenário de desaquecimento não estivesse no radar desde os primeiros movimentos, a Quattor acredita que a unificação que deu origem a ela tornou a empresa mais hábil para lidar com um ambiente adverso.

"As empresas (que formaram a Quattor), isoladamente, estariam menos preparadas", afirmou à Reuters Vítor Mallmann, presidente da Quattor, cujo nome foi inspirado na alquimia e refere-se aos quatro elementos da natureza.

Além disso, o setor petroquímico como um todo vive um momento de queda nas cotações internacionais do petróleo, o que pode reduzir a pressão sobre as margens das companhias de resinas. O patamar do câmbio também pode beneficiar as empresas locais na substituição de importações, que no final do ano chegaram a atender de 20 a 25 por cento da demanda brasileira.

A consolidação fez aparecer duas grandes companhias no segmento de resinas, a Quattor e a Braskem, o que, na avaliação de Mallmann, fez com que o Brasil passasse a ter "empresas com porte para concorrer no mercado internacional".

UNIFICAÇÃO SOCIETÁRIA

Internamente, a Quattor caminha para se tornar uma única figura jurídica. Ela já fez a aquisição do bloco de controle e das ações em circulação da antiga Petroquímica União, que teve seu capital fechado e hoje se chama Quattor Químicos Básicos.

Também promoveu o chamado "tag along" para compra das ações ordinárias em circulação da antiga Suzano Petroquímica, que continua listada mas tem hoje 99,5 por cento do capital nas mãos da Quattor Participações.

A idéia dos acionistas é manter essa companhia listada em bolsa, com o atual nome de Quattor Petroquímica, empresa que no futuro reunirá todos os ativos das demais.

Até o momento, entretanto, a Rio Polímeros não pode ser integrada porque sua independência estava prevista no projeto de financiamento da empresa. Para incorporá-la, a Quattor precisa substituir seu financiamento.

Do ponto de vista organizacional, as companhias irão, ao longo deste ano, integrar e padronizar procedimentos, em um processo que deve estar concluído no início de 2010, segundo Mallmann.

Ele informa que a Quattor contratou a consultoria Accenture para ajudar na captação das sinergias. "Já foram identificadas 92 ações que levariam a ganhar posição ou reduzir custos", disse ele, que, no entanto, afirmou não poder revelar o montante esperado em sinergias.

A companhia fechou o ano com 1,65 mil funcionários, já eliminadas as sobreposições entre as empresas, e não prevê grandes oscilações nesse número ao longo de 2009.

CENÁRIO AINDA POUCO CLARO

Depois de um último trimestre "difícil", com queda acentuada na demanda interna, Mallmann afirma que ainda são muitas as incertezas sobre 2009. "Não está claro se esse (o patamar do último trimestre de 2008) é um novo patamar de demanda ou um ajuste de estoques ao longo da cadeia."

De qualquer forma, ele pondera que a queda nos preços do petróleo no mercado internacional, que influenciam o preço da nafta --principal matéria-prima das resinas petroquímicas-- "reduz um pouco as diferenças de um país a outro em termos de custos", o que pode facilitar a conquista de novos mercados, especialmente regionais, como os da América Latina.

Além disso, as companhias locais esperam, com a recente alta nas cotações do dólar, ganhar o mercado que até então vinha sendo atendido pelas importações.

"Acredito em um 2009 melhor que o último trimestre de 2008, mas em relação a todo o ano passado a minha perspectiva é neutra", disse ele.

(Edição de Daniela Machado)