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Mais uma vez terminou sem acordo, ontem, a assembleia geral de credores do frigorífico Quatro Marcos. Uma nova reunião foi agendada para o dia 24 de março, em São Paulo, para tentativa de votação do plano de recuperação judicial da empresa.

A suspensão foi proposta pelos bancos e aprovada por 82% dos presentes, que alegaram falta de tempo hábil para avaliação de um novo plano de recuperação apresentado apenas hoje pela empresa, sem aviso prévio. Essa foi a sexta tentativa de acordo entre a empresa e os credores.

Segundo o advogado do Quatro Marcos, Charles Gruenberg, o frigorífico foi "obrigado" a elaborar um novo plano de recuperação, às pressas, porque não conseguiu acordo com os bancos. "Estivemos muito próximos de um acordo com os credores de pré-pagamento de exportação até a noite de ontem. Como isso não foi possível, tivemos de apresentar um plano novo", disse. De acordo com ele, a empresa e as instituições financeiras discordaram no estabelecimento de valores e liberação de garantias.

A nova proposta prevê pagamento à vista aos credores com garantia real, que têm um crédito de aproximadamente R$ 7 milhões. Para pagamento aos credores quirografários, o plano prevê leilão da unidade de Vila Rica e de metade da planta de Cuiabá. Com os recursos obtidos, a empresa efetuaria o pagamento aos produtores. Os credores de pré-pagamento de exportação, que têm aproximadamente US$ 125 milhões a receber do Quatro Marcos, pertencem a essas duas categorias de credores.

Também houve mudança na proposta aos pecuaristas. O frigorífico quer pagar os produtores em até 12 vezes, em parcelas corrigidas pela taxa Selic, a partir de 30 dias da aprovação do plano pela assembleia geral dos credores. A proposta anterior era de correção da Selic a partir de novembro do ano passado. A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), por sua vez, defende que a correção pela Selic comece a valer a partir da homologação do pedido de recuperação judicial, em 6 de janeiro do ano passado.

Hoje, os produtores apoiaram a proposta dos bancos de suspensão da assembleia. "A impressão é de que, se o plano fosse colocado em votação hoje, seria recusado", afirmou o superintendente da Acrimat, Luciano Vacari, presente à reunião. "A cada dia que passa, eles (frigoríficos) ficam mais vulneráveis a ações judiciais. O Quatro Marcos deu tantas demonstrações de desrespeito e falta de compromisso que não merece mais continuar operando", acrescentou.

O Quatro Marcos foi o primeiro dos grandes frigoríficos brasileiros a apresentar pedido de recuperação judicial, em janeiro de 2009, e até agora é o único que ainda não teve o plano de recuperação aprovado. A assembleia de hoje era a sexta tentativa de acordo entre a indústria e os credores.

A dívida da empresa soma aproximadamente R$ 428 milhões. Os bancos respondem por mais de 90% do endividamento. Já os pecuaristas têm um crédito de R$ 35,7 milhões para receber do montante total.

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