Quadro de distribuição de renda não muda desde 1970, diz Ipea

País interrompeu processo de concentração de riquezas, mas desigualdade não diminuiu nos últimos 40 anos

Klinger Portella, iG São Paulo | 12/08/2010 11:30

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As políticas públicas de desconcentração produtiva e descentralização dos gastos e investimentos públicos dos últimos 40 anos não foram suficientes para mudar de forma significativa o quadro da distribuição de renda do Brasil. É o que conclui o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em comunicado divulgado nesta quinta-feira.

Com base no índice de Gini - que avalia a distribuição de renda, sendo 0 a distribuição ideal e 1 a maior concentração -, o Ipea constatou que o Brasil interrompeu um processo de concentração de renda, iniciado em 1920, mas, desde 1970, o quadro pouco se alterou em todo o País.

Distribuição de Renda no Brasil

Compare a variação do índice de Gini por região desde 1920

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Fonte: Ipea


“No auge do ciclo de industrialização, por exemplo, o País registrou forte tendência à concentração da produção em poucos e contidos espaços do território nacional”, apontou o Ipea. Entre 1920 e 1970, o índice de Gini saltou de 0,65 para 0,84 em todo País, enquanto, na avaliação do Produto Interno Bruto (PIB) per capita o índice saltou de 0,37 em 1920 para 0,49 em 1970.

A partir da década de 1970, avalia o Ipea, a evolução acelerada da concentração de renda foi interrompida, mas o quadro não mudou até 2007. “Esta segunda fase da integração dos municípios na participação do Produto Interno Bruto brasileiro manteve congelado o grau de desigualdade territorial dos PIBs municipais no elevado coeficiente de Gini de 0,86 entre 1970 e 2007, última informação oficial disponível.”

Para o índice de Gini dos PIBs municipais per capita, por sua vez, houve queda de 14,3% entre 1970 (0,49) e 2007 (0,42).

Regiões

A região Sudeste responde pela maior concentração de renda no País, com índice de Gini de 0,88 em 2007. A região, no entanto, é a única que apresenta processo de estabilidade no índice. Em 1970, o indicador estava em 0,89.

A região Sul, por sua vez, tem a menor concentração de renda, com Gini de 0,78. No entanto, o índice piorou nos últimos 40 anos, quando estava em 0,70.

“O índice de Gini decresceu 1,3% na região Sudeste (de 0,90 para 0,89), enquanto subiu 7,2% no Centro-Oeste (de 0,79, para 0,85), 11,5% no Sul (de 0,71 para 0,79), 3,5% no Nordeste (de 0,77 para 0,80) e 4,7% no Norte (de 0,76 para 0,80)”, completou o Ipea.

Segundo o levantamento, a concentração de renda aumentou nas pequenas cidades do País, com o índice subindo 18% entre 1920 e 1950, e mais 6,8% entre 1970 e 2007. “Os grandes municípios brasileiros registraram aumento acumulado de 10,8% entre 1920 e 1970 e queda de 9,8% entre 1970 e 2007”, comparou.

Em 1920, os grandes municípios tinham índice de Gini 48% maior que os pequenos, mas, em 2007, o indicador foi apenas 17,5% superior.

Mais ricos

O Ipea mostra que, em 2007, 1% dos municípios mais ricos do Brasil tinham PIB médio 3,3 vezes superior à média nacional. O número é três vezes maior que o observado em 1920, quando os PIBs dos ricos era 1,1 vez maior que a média nacional.

Na outra ponta da tabela, os 60% municípios mais pobres têm PIB equivalente a 2,5% da média nacional. Em 1920, o resultado era 3,2 vezes superior ao observado atualmente. “Ou seja, uma queda acumulada de 21,9% no mesmo período de tempo”, disse o Ipea.

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