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Quadrilha quebrava sigilo telefônico para espionar

Centenas de pessoas, entre elas políticos e empresários, tiveram os sigilos telefônico, bancário e fiscal quebrados ilegalmente por um esquema de espionagem do qual participavam policiais, executivos de empresas de telefonia, funcionários de bancos e pessoas ligadas à Receita Federal. Essa é a acusação dos promotores do Grupo de Atuação Especial e Controle Externo da Atividade Policial (Gecep) e do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic).

Agência Estado |

Uma das vítimas foi o deputado federal José Aníbal, líder do PSDB na Câmara.

Promotores e policiais que atuaram na Operação Spy 2 investigaram por quatro anos os suspeitos. Nove pessoas foram presas ontem em São Paulo. Outra está foragida. Ao todo, foram pedidos à Justiça 22 mandados de busca e apreensão e as prisões de 20 pessoas. Entre os acusados estão oito detetives particulares, uma pessoa ligada à Receita, quatro funcionários da Vivo, dois bancários, um delegado, três investigadores, um escrivão e um coronel da reserva da Polícia Militar. "A fraude se banalizou. Era muito fácil conseguir informações sigilosas", disse o delegado Ruy Ferraz Fontes, do Deic.

A organização, segundo os promotores Márcio Sérgio Christino e Pedro Baracat Guimarães Pereira, do Gecep, era constituída de três células independentes. A primeira, desarticulada em 2004 pela Spy 1, era composta por policiais civis que falsificavam ofícios judiciais para pedir quebras de sigilos telefônicos às operadoras. O Gecep voltou a pedir a prisão dos envolvidos, mas a Justiça indeferiu.

O segundo grupo era chefiado pelo detetive Domingos Esteves Júnior. Suposta integrante, a detetive particular Ângela Bekeredjian foi flagrada pedindo o histórico de chamadas do deputado à colega Elizangela Novais da Silva. A interceptação da polícia ocorreu em 6 de outubro, um dia após o primeiro turno das eleições municipais. Elizangela, segundo a polícia e o Gecep, captava interessados em investigações de caráter comercial, industrial, político ou pessoal que dependiam de quebra de sigilo. Os "serviços clandestinos" eram feitos por funcionários de operadoras e pessoas ligadas ao Fisco, e custavam de R$ 200 a R$ 2 mil.

Elizangela também se aproveitava de falhas dos serviços de atendimento ao consumidor das operadoras. Ela, Márcio Rodrigo de Paula Nascimento - o único foragido - e uma mulher identificada como Flávia ligavam fingindo ser assinantes e pediam à operadora que enviasse a conta detalhada por e-mail. Ou simulavam ser do setor de cobrança das empresas: demonstrando conhecimento sobre procedimentos internos, pediam aos funcionários que "confirmassem" dados. Foi assim que o grupo conseguiu informações de uma linha do líder tucano. Quando não conseguiam obter dados assim, os detetives subornavam funcionários. Um empregado da Telefônica identificado como Roger Tabor Inácio e uma da Vivo, Aline de Moura, colaboravam.

Não só maridos ciumentos os procuravam, mas até policiais - como o delegado do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) identificado por Carlos Eduardo e o coronel da reserva da PM Antônio Bezerra da Silva. O grupo ainda é acusado de vender informações bancárias e da Receita Federal. O contato no Fisco seria feito por César Barbosa Costa, que pediria os dados a Carlos Eduardo de Oliveira Loma, ligado à Receita em São Paulo.

A terceira célula teria no centro a detetive Rosemeire da Silva Scrittore.

Ela manteria relacionamento estreito com a Vivo por meio do superintendente José Carlos Hanna e do gerente Flávio Jacinto de Morais, do setor antifraude da empresa. Visando, segundo as investigações, a atender interesses da Vivo e negócios particulares de Rosemeire e de Flávio, foi feita indevidamente a quebra de sigilo de dados de várias habilitações.

Os escritórios dos funcionários da Vivo foram vasculhados ontem em São Paulo durante a operação. Rosemeire obtinha ainda dados da TIM e da Claro e também era ajudada por funcionários do Bankpar, controlador dos cartões American Express, e do Banco Real para quebrar sigilo de clientes - foram identificados Selma Giachetti, do Bankpar, e Marcos Palace Chagas, do Real.

Não se sabe ainda quanto a quadrilha lucrou nem quantas pessoas foram "vigiadas". As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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