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Putin descarta Estado forte contra a crise

É preciso evitar a excessiva intervenção na economia, assim como a “fé cega na onipotência do Estado”, disse o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça). O aumento da intervenção em tempos de crise é uma reação natural, disse Putin, mas alguns são tentados a levá-la ao extremo.

Agência Estado |

“No século 20”, continuou, “a União Soviética tornou absoluto o poder do Estado. A longo prazo, isso tornou a economia totalmente ‘incompetitiva’ e essa lição nos custou caro”.

“O espírito de livre empresa, incluído o princípio de responsabilidade pessoal dos empresários, investidores e acionistas por suas decisões, vem sendo erodido nos últimos meses. Não há razão para acreditar que podemos obter resultados melhores desviando a responsabilidade para o Estado.”

Os governos, advertiu Putin, devem também evitar a tentação de cair no protecionismo comercial. Algum protecionismo será inevitável, admitiu, mas “todos devem mostrar um senso de proporção”. Putin chamou a atenção, também, para o risco de medidas populistas e de gastos fiscais injustificáveis. O aumento irresponsável do déficit orçamentário e a acumulação de dívida pública são “tao destrutivos quanto as aventuras no mercado de ações”.

Na agenda positiva, o primeiro-ministro russo recomendou a liquidação dos ativos podres e a limpeza dos balanços das instituições financeiras, ainda que esse trabalho seja “extremamente doloroso”. Sem a limpeza dos balanços, advertiu, a crise se prolongará.

Em segundo lugar, é hora de abandonar o dinheiro virtual, as demonstrações financeiras exageradas e as classificações duvidosas. É preciso, recomendou, voltar a avaliar as empresas com base em sua capacidade de agregar valor na produção de bens e serviços. Abandonar a excessiva dependência de uma única moeda de reserva (o dólar) foi a terceira recomendação. Quarto ponto: países que emitem moedas de reserva devem implementar políticas monetárias mais transparentes e seguir regras internacionalmente reconhecidas de disciplina macroeconômica e financeira (nova referência aos Estados Unidos). “Em nossa opinião, este pedido não é excessivo”, acrescentou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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