O vice-presidente da GM do Brasil, José Carlos Pinheiro Neto, é o protagonista de uma campanha publicitária, com início marcado para hoje, que tenta tirar partido da crise financeira global. O executivo vai comunicar a decisão da GM de manter os juros dos financiamentos para seus carros em 0,99% ao mês.

"Crise no ideograma chinês quer dizer oportunidade", diz Pinheiro Neto. "É emblemático que, nesse momento, que se fala tanto em juros, a GM garanta financiamento abaixo de 1%. O interesse é manter o ritmo de vendas e afastar o temor dos compradores."

Anúncios de oportunidade, como esse da GM, devem começar a dar um certo movimento ao mercado publicitário nesse período de crise. Porém, como em todos os outros setores da economia, o clima no meio publicitário é de expectativa. Há clientes tirando o pé do acelerador, mas a maioria das agências evita comentar, com medo de desagradar aos anunciantes. Seus executivos dizem que, no curto prazo, não há cancelamento de campanhas programadas.

Mas os reflexos negativos também já começam a ser notados. Na agência de publicidade Borghier/Lowe, o presidente José Borghi admitiu que deverá adequar o quadro de funcionários em função da diminuição do ritmo de lançamentos da construtora InPar, sua cliente. A empresa alegou condições desfavoráveis no mercado de crédito para anunciar redução de sua meta de lançamentos e vendas.

Na verdade, o que mais preocupa os publicitários é o cenário do próximo ano. "É impossível que uma crise dessa magnitude não tenha reflexos aqui", avalia Guga Valente, presidente da holding do Grupo ABC, que tem como maior acionista o publicitário Nizan Guanaes. "A restrição ao crédito é um sinal."

Outros executivos do setor, no entanto, insistem que a crise pode até vir a ter reflexos positivos para a publicidade. "O varejo vai ter de anunciar para estimular vendas, ainda que promocionais", diz Luiz Lara, presidente da agência LewLara\\TBWA.

Na mesma linha de enxergar a crise como possibilidade de crescimento, Aurélio Lopes, presidente da agência Giovanni+DraftFCB, diz ter ouvido clientes argumentarem que o momento é de avançar sobre a concorrência, em especial sobre os que afrouxarem, na espera de ver o que virá.

Para Sérgio Amado, presidente do rede global Ogilvy no Brasil, o País deve até desacelerar o crescimento, mas menos do que no primeiro mundo. "Estamos cautelosos, mas ainda otimistas." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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