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A montadora francesa PSA Peugeot Citroën anunciou ontem que vai demitir 11 mil de trabalhadores em todo o mundo, como consequência das perdas financeiras que vem sofrendo por causa da crise econômica internacional. A companhia, com sede em Paris, registrou um prejuízo líquido de 343 milhões no ano passado.

No ano anterior, havia registrado um lucro líquido de 885 milhões. A expectativa do grupo para este ano também é de fechar com prejuízo.

A diretora financeira do grupo, Isabel Marey-Semper, afirmou que a companhia planeja demitir 11 mil funcionários este ano, depois de já ter eliminado 18 mil empregos - ou o equivalente a 10% de sua força de trabalho - no plano de reestruturação que o grupo vem pondo em prática há dois anos.

A maior parte das demissões serão na França. Entre 6 mil e 7 mil serão demissões voluntárias, afirmou o diretor de Recursos Humanos da Peugeot Citroën, Jean-Luc Vergne. A empresa havia prometido não realizar demissões forçadas na França este ano, em troca de um empréstimo federal de US$ 3 bilhões.

O diretor geral do grupo automobilístico, Christian Streiff, afirmou que a prioridade é evitar o acúmulo de dívidas trabalhistas e minimizar o impacto da falta de liquidez. "Como temos pela frente a perspectiva de uma recessão prolongada, nossas prioridades são claras: reduzir despesas e minimizar os gastos trabalhistas."

A diretora financeira disse esperar uma redução na produção entre 20% e 30% este ano, acompanhando a queda nas vendas. Segundo Streiff, o primeiro semestre deste ano será "particularmente difícil". Ele prevê que as vendas de automóveis irão cair 20% na Europa ocidental, antes de se estabilizar em 2010.

No Brasil, a direção da PSA Peugeot Citroën informou ontem desconhecer se o programa de demissões voluntárias será adotado no País, pois não houve qualquer comunicado da matriz. A fábrica de Porto Real (RJ) emprega 3,5 mil funcionários e 700 deles estão em licença remunerada desde janeiro, com previsão de retorno só em março. Nesse período, eles recebem só parte dos salários.