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SÃO PAULO - Eventos não recorrentes, uma piora no resultado da área de seguros, perdas com a marcação a mercado no valor de títulos e o aumento das provisões para perdas com inadimplência foram fatores determinantes para que o lucro do Bradesco tenha caído para R$ 1,605 bilhão no quarto trimestre do ano passado, o que significou um recuo de 15,9% sobre o ganho do terceiro trimestre, de R$ 1,910 bilhão, e de 26,7% sobre o lucro do período de outubro a dezembro de 2007, de R$ 2,192 bilhões. Em termos recorrentes, o lucro somou R$ 1,806 bilhão no quarto trimestre de 2008, com queda de 5,4% sobre o período imediatamente anterior e de 2,6% em relação ao último trimestre de 2007. Considerando o resultado ajustado, o retorno sobre o patrimônio líquido médio anualizado ficou em 20,1% no quarto trimestre.

No balanço referente ao período de outubro a dezembro, o Bradesco optou por fazer uma provisão adicional para perdas com devedores duvidosos no montante de R$ 597 milhões. O objetivo foi manter um índice de cobertura de 165% dos débitos vencidos há mais de 90 dias e de 130% das dívidas com atraso de mais de 60 dias. Do total de R$ 597 milhões, R$ 429 milhões referem-se à provisão excedente, acima da requerida pelo Banco Central, e R$ 168 milhões por conta da revisão do rating atribuído a algumas empresas do segmento corporate.

Ao ser questionado sobre se este montante estava relacionado com os casos de Aracruz e Sadia, o vice-presidente e diretor de Relações com Investidores do banco, Milton Vargas, esclareceu que o banco não comenta casos específicos de clientes e informou apenas que algumas empresas de grande porte tiveram o rating de crédito rebaixado pelo banco.

Ao final de dezembro passado, o saldo de PDD do banco estava em R$ 10,263 bilhões, sendo R$ 1,6 bilhão em provisão excedente.

Pesaram também no resultado do quarto trimestre algumas questões ligadas ao segmento de seguros, com impacto negativo líquido de R$ 86 milhões. Houve aumento na sinistralidade por conta de desastres naturais, como o de Santa Catarina, gastos maiores da Bradesco Saúde relacionados com a alta do dólar e mudança na provisão de pagamentos de seguros do ramo vida.

Em relação à inadimplência, os dados mostram que os atrasos acima de 90 dias subiram de 3,5% da carteira para 3,6% entre setembro e dezembro, com destaque de alta para as empresas. Entre as pequenas e médias, o índice subiu de 2,4% para 2,7% e nas grandes a alta foi de 0,3% para 0,5%. No grupo de pessoas físicas, os atrasos aumentaram de 6,6% para 6,7% da carteira.

(Fernando Torres | Valor Online)