A Companhia Providência, que produz não-tecidos (matéria-prima para artigos descartáveis como fraldas descartáveis e absorventes) e tubos de PVC, anunciou ontem a construção de uma fábrica nos Estados Unidos, num investimento de US$ 120 milhões. A unidade industrial, a primeira da companhia que tem a família Constantino, da Gol, entre seus maiores acionistas, vai produzir 40 mil toneladas de não-tecidos por ano, que corresponde à metade da produção atual da empresa.

A operação deve começar em junho do ano que vem.

Segundo fato relevante divulgado ontem ao mercado, a nova fábrica será uma subsidiária integral da Providência, ou seja, formada apenas com o capital da empresa. O valor a ser investido inclui compra de maquinário, terreno e instalações.

A companhia prevê ainda a entrada em operação de uma segunda linha de produção nos EUA,em 2010. No Brasil, a Providência tem fábricas em São José dos Pinhais (PR) e Pouso Alegre (MS). Em um memorando firmado com a empresa Reifenhäuser Reicofil, fornecedora de equipamentos para a fábrica, está prevista uma opção de compra de outras quatro linhas de produção.

O consumo dos produtos chamados de não-tecidos cresceu cresceu 10% no ano passado no Brasil. O bom desempenho foi puxado pela expansão do consumo interno de bens de consumo. No segmento de tubos e conexões de PVC, a companhia estima ser o terceiro maior fabricante do País.

Com 45% do mercado nacional de não-tecidos, a Providência exporta pouco mais da metade de sua produção para países da América Latina e para os Estados Unidos. No ano passado, a Providência faturou R$ 458 milhões.

Economia

Os EUA foram escolhidos para receber a primeira fábrica no exterior por serem o país mais distante e com maior custo logístico, entre os mercados importadores. O prolipropileno, insumo principal da indústria de não-tecidos, poderá ser adquirido no mercado norte-americano. Além disso, a fábrica trará redução de gastos com distribuição e logística, devido à proximidade com os clientes americanos. A companhia já opera dois depósitos de distribuição nos EUA desde 2005.

Constantino

A compra consolida uma estratégia ousada de expansão iniciada após a aquisição da empresa, em 2006. Até então uma companhia de controle familiar, a Providência foi comprada pelo fundo de private equity norte-americano AIG e pelo fundo de investimento Asas, controlado pelos donos da Gol, em um negócio avaliado em R$ 1 bilhão.

O banco Espírito Santo, de Portugal, e o fundo de investimentos Governança e Gestão, do ex-ministro do Planejamento Antônio Kandir, também participaram do negócio.

Em junho do ano passado, adquiriu a mineira Isofilme, também do setor de não-tecidos. No mês seguinte, fez seu IPO (oferta pública inicial de ações), captando R$ 468 milhões.

Nos últimos meses, porém, a alta nos preços do petróleo, que elevou o custo do polipropileno, principal matéria-prima do produto, têm prejudicado o negócio. De janeiro a junho deste ano, o valor de mercado da empresa caiu 43,4%.

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