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Protestos e bloqueios de estradas predominam em greve nacional peruana

Lima, 9 jul (EFE).- Manifestações maciças, mas pacíficas, e bloqueios de estradas predominaram hoje na greve nacional peruana contra o presidente Alan García, na qual mais de 200 pessoas foram detidas.

EFE |

O ministro do Interior peruano, Luis Alva Castro, disse a jornalistas que durante o dia não foram registrados "fatos lamentáveis" e que as detenções "possivelmente ultrapassem as 200 pessoas", mas descartou que tenham ocorrido "alguns incidentes".

No início do dia, os manifestantes entraram em confronto com a Polícia quando as autoridades tentavam desobstruir as ruas da populosa periferia norte de Lima, enquanto um grupo de trabalhadores agrediu a imprensa em uma região central da capital peruana.

Além disso, as autoridades utilizaram bombas de gás lacrimogêneo para desocupar parte da estrada Pan-americana, que atravessa toda a costa peruana, na altura da região de Ica, cerca de 200 quilômetros ao sul de Lima.

As emissoras locais também informaram sobre vários bloqueios de estradas no interior do país, onde a greve foi sentida com maior força, principalmente nas regiões de Puno e Arequipa, que também aderem à greve agrária.

Na cidade de Cuzco, onde se desenvolve uma reunião preparatória para a cúpula de líderes do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), que acontecerá em Lima em novembro, as atividades transcorrem com tranqüilidade.

O aeroporto de Cuzco opera com normalidade, embora por medidas preventivas tenham sido suspensas as viagens de trem para a cidade inca de Machu Picchu.

Ao admitir que em "alguns instantes" foram realizados bloqueios, o ministro do Interior afirmou que já "as seis estradas (principais) do país" estão livres, o que "permite que tudo se desenvolva normalmente".

O Governo desdobrou cerca de 100 mil policiais, com o apoio das Forças Armadas, para garantir a ordem durante a greve nacional, convocada por várias organizações políticas, sindicais e sociais, liderada pela Confederação Geral de Trabalhadores do Peru (CGTP).

As reivindicações da greve, declarada ilegal pelo Ministério do Trabalho, são o aumento de salários e a anulação de vários decretos de privatização, entre eles os que promovem os investimentos em terras das comunidades camponesas e amazônicas ou em regiões declaradas patrimônio histórico e cultural.

Os manifestantes exigem também o fim da criminalização do protesto social, atenção à "agenda agrária e social" para que os direitos trabalhistas não sejam reduzidos, e a luta contra a corrupção governamental, lembrou hoje em coletiva de imprensa o secretário-geral da CGTP, Mario Huamán.

"Acho que o Governo deve fazer uma profunda autocrítica. Nós exigimos uma mudança de rumo na economia, na política social e na moral pública", enfatizou o dirigente da central sindical, após pedir menos "soberba" a García, que no próximo dia 28 completa dois anos de mandato.

O protesto acontece no momento em que o país se destaca pelo crescimento econômico de 8,3% registrado em 2007, um dos mais altos da região e que contrasta com os piores salários do continente e níveis de pobreza em 40% da população.

O mal-estar no Peru se agrava pela alta dos preços dos alimentos e dos combustíveis, contando que a inflação do primeiro semestre foi de 3,51% e o salário mínimo é de 500 sóis (US$ 177).

Desde que começou sua gestão em 2006, García enfrentou constantes protestos sociais por diversas reivindicações, entre elas uma greve agrária que deixou quatro mortos em fevereiro e outra manifestação na região de Moquegua, na qual se retiveram a 60 policiais.

Para resistir à greve, o Governo e o governista Partido Aprista compararam o protesto com o terror suscitado pelo grupo Sendero Luminoso de alguns anos atrás e com declarações do ex-assessor presidencial Vladimiro Montesinos.

O governante peruano também indicou que haveria um eventual apoio do presidente boliviano, Evo Morales, à greve nacional. EFE wat/rb/rr

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