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O que era apenas um descontentamento, e até certo sentimento de resignação, se transformou em uma batalha e violência entre manifestantes e a polícia grega. Ontem, trabalhadores de diversos setores saíram às ruas para protestar contra a decisão do governo de acatar as exigências da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional e tentar aprovar hoje no Parlamento o maior programa de austeridade da história democrática da Grécia.

O que era apenas um descontentamento, e até certo sentimento de resignação, se transformou em uma batalha e violência entre manifestantes e a polícia grega. Ontem, trabalhadores de diversos setores saíram às ruas para protestar contra a decisão do governo de acatar as exigências da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional e tentar aprovar hoje no Parlamento o maior programa de austeridade da história democrática da Grécia. Enquanto isso, uma greve parou o país. Ontem, três pessoas morreram em Atenas depois que um escritório de um banco foi atacado com coquetéis molotov. Um dos mortos era uma mulher grávida. Outras 40 pessoas foram feridas pelos choques. As manifestações contra a decisão do governo de adotar medidas drásticas de redução de gastos levaram dezenas de milhares de pessoas às ruas. Até pouco tempo, os protestos e greves não conseguiam a adesão de muitos gregos. Mas, um dia depois da apresentação das novas políticas de restrição por parte do governo, o conflito social eclodiu num dos maiores protestos em anos no país. Pesquisas de opinião mostram que a população acredita que será ela quem pagará o preço de sucessivos governos corruptos e mal-administrados. Oito prédios públicos e bancos, além de carros foram incendiados. Pequenas lojas também foram alvo dos jovens manifestantes. Nas imagens de uma das principais ruas comerciais de Atenas, uma fumaça negra era vista. A polícia ainda teve de usar bombas de gás lacrimogêneo para impedir que dezenas de pessoas invadissem o Parlamento. Os manifestantes jogavam pedras contra os policiais em resposta. O primeiro-ministro George Papandreou condenou a violência e chamou os manifestantes que atacaram o banco de "assassinos". "Todos têm o direito de protestar. Mas ninguém tem o direito de adotar atos de violência e matar compatriotas", disse. Ele vai reunir a oposição para debater a situação. Trata-se do maior teste para o governo socialista desde a eclosão da crise econômica, enquanto líderes da oposição já alertaram para o caos social que a Grécia poderia entrar. Única saída. O discurso do governo é de que o pacote de austeridade era a única solução diante do risco de uma quebra geral. Em troca de elevar a idade da aposentadoria, cortar benefícios para 600 mil pessoas e reduzir salários, o governo receberia 110 bilhões em três anos. No total, o governo precisa reduzir em 30 bilhões seus gastos em três anos e promete ainda aumentar impostos. Papandreou espera conseguir votar ainda hoje seu pacote. A oposição indica que pode vetar o plano. A greve geral fechou aeroportos, escolas, locais de turismo. Jornalistas, funcionários públicos, professores e médicos deixaram o trabalho. Quem estava em Atenas ontem constatou que o país parou. O transporte público não funcionou e a ligação entre o continente e as ilhas foi suspenso. Nenhum voo chegava ou saía da Grécia. Números. Os números sobre os participantes nas ruas do país variaram de acordo com a fonte. Alguns sindicatos chegaram a dizer que 100 mil pessoas estavam nas ruas do país. A polícia estimou que, em Atenas, o número total era de 20 mil. Para os sindicatos GSEE e Adedy, eram pelo menos 50 mil. "Essa manifestação é duas vezes maior que a maior já vista na Grécia reunindo funcionários públicos", garantiu Spyros Papaspyros, presidente da Adedy, sindicato do funcionalismo publico grego. Hoje ele promete concentrar a manifestação na rua do Parlamento para tentar impedir a votação do pacote. "A greve mostra que o país considera que as medidas são injustas contra trabalhadores e aposentados", disse Yannios Panagopoulos, presidente do sindicato dos trabalhadores do setor privado, o GSEE.

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