Entidades sociais e de meio ambiente, agricultores e tribos indígenas realizam hoje e nos próximos dias uma série de manifestações pelo Brasil contra a Hidrelétrica de Belo Monte (PA), a devastação da Amazônia e a política energética do governo Lula. Mesmo que o leilão da usina, marcado para hoje, às 12 horas, não ocorra por causa da liminar concedida ontem pela Justiça Federal do Pará, os movimentos prometem reunir centenas de pessoas em várias localidades, paralisar estradas e balsas.

Entidades sociais e de meio ambiente, agricultores e tribos indígenas realizam hoje e nos próximos dias uma série de manifestações pelo Brasil contra a Hidrelétrica de Belo Monte (PA), a devastação da Amazônia e a política energética do governo Lula. Mesmo que o leilão da usina, marcado para hoje, às 12 horas, não ocorra por causa da liminar concedida ontem pela Justiça Federal do Pará, os movimentos prometem reunir centenas de pessoas em várias localidades, paralisar estradas e balsas. O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)e o Movimento dos Sem Terra (MST) vão se reunião em frente a órgãos estatais de oito cidades brasileiras: Fortaleza (CE), João Pessoa (PB), Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF) e Belém e Altamira (PA).

"Vamos sair em passeata para dialogar com a sociedade", destacou o representante do MAB, Iuri Charles Paulino, garantindo que será uma manifestação pacífica. Na avaliação dele, o problema de Belo Monte, prevista para ser construída no Rio Xingu, no Pará, é um problema nacional e internacional, fere o direito à soberania dos povos, a dignidade dos indígenas, ribeirinhos e a todos os brasileiros que pagarão a conta dessa obra. "Se esse leilão ocorrer, será um crime de lesa-pátria."

As manifestações contra a hidrelétrica começaram ontem em Altamira, numa vigília em frente das instalações da Eletronorte, que incluiu rezas, carros de som e discussões sobre o empreendimento. Além de moradores da cidade, índios também participaram. Para hoje, agricultores prometem bloquear a Rodovia Transamazônica, no trecho entre Altamira e Vitória do Xingu. Essa é a única ligação terrestre que os moradores da cidade têm para Belém e Santarém.

Também há previsão de protestos em Cuiabá (MT). "Se Belo Monte vai trazer prejuízos pro Povo do Xingu, índios vão provocar prejuízo para muita gente e empresas", alerta o cacique kaiapó Megaron Txcurramãe. Ele e mais 30 lideranças, reunidas na aldeia Piaraçu, na terra indígena Capoto-Jarina, devem fazer a segunda manifestação contra Belo Monte. O cacique afirma que, se a usina vai prejudicar o povo indígena, então eles também vão prejudicar o governo e o projeto.

A primeira manifestação ocorreu em novembro de 2009 e reuniu, durante seis dias, lideranças das 15 etnias que moram no Parque do Xingu, cerca de 300 pessoas. O movimento foi liderado pelo cacique Raoni Metuktire. Apesar de definida as estratégias, os líderes não quiseram antecipar a data, mas garantiram que ocorrerá antes do "fim do mês".

A estratégia desta segunda manifestação será a mesma usada em 2009: a paralisação da travessia da balsa no Rio Xingu, operada pelos índios. A travessia liga São José do Xingu a outros municípios de Mato Grosso e também do Pará. Por dia, cerca de 60 caminhões, 30 veículos de passeio e ônibus passam pelo local. No dia 15 de maio, os povos indígenas prometem outra manifestação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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