Adriana Flores-Bórquez. Atenas, 4 mai (EFE).

Adriana Flores-Bórquez. Atenas, 4 mai (EFE).- Milhares de aposentados, professores e outros funcionários públicos se manifestaram hoje no centro de Atenas, uma prévia do que será a greve geral convocada para amanhã em protesto contra as medidas de austeridade anunciadas pelo Governo grego. A Polícia desdobrou unidades antidistúrbios na Praça Sintagma e em seus arredores para evitar saques a lojas e a outros estabelecimentos, mas o dia terminou pacificamente e sem maiores incidentes, apesar do barulho feito pelos manifestantes da sede do Parlamento até a Universidade de Atenas. Professores de ensino médio, universitários e do setor privado protestaram com cartazes contra as demissões, os baixos salários e as condições de ensino nas salas de aula. Os funcionários públicos são contrários à redução dos salários, à eliminação dos dois pagamentos extraordinários anuais e ao corte das previdências dos setores público e privado, embora não incluam as aposentadorias dos agricultores. Mais de cem voos, em sua maioria de rotas secundárias nacionais, foram cancelados hoje por causa da participação de funcionários da Aviação Civil nos protestos. Por sua vez, o Governo grego apresentou hoje no Parlamento um projeto de lei para um período de três anos destinado a salvar as contas fiscais do país. O programa foi a condição prévia para que a Grécia recebesse a ajuda do Eurogrupo e do Fundo Monetário Internacional (FMI) de 110 bilhões de euros, o primeiro resgate de um país da zona do euro nos 11 anos de criação da moeda única. Está previsto que o projeto de lei seja tramitado no Parlamento na quinta-feira e seja aprovado rapidamente devido à maioria absoluta dos socialistas na Casa. A legislação compreende aumentos das cargas tributárias sobre o tabaco, o álcool, os produtos de luxo e a gasolina, que entraram em vigor ontem, assim como o aumento do Imposto Sobre o Valor Agregado (IVA) a partir de 1º de julho em dois pontos, de 21% para 23%. Por sua parte, o ministro do Trabalho grego, Andreas Loverdos, confirmou hoje, em entrevista coletiva, as mudanças na lei trabalhista, que permitirão aumentar as demissões mensais em uma empresa dos 2% atuais para 4% dos funcionários no setor privado. Loverdos também anunciou a manutenção do limite geral para a aposentadoria de 65 anos de idade. Como reação a estas medidas, os gregos convocaram uma greve geral de 24 horas, que deixará completamente paralisado o tráfego aéreo e afetará também o transporte marítimo e ferroviário. Também se somarão à greve jornalistas, advogados, funcionários bancários, operários e médicos de hospitais públicos. Já os professores manterão os protestos pelo segundo dia consecutivo. O presidente do sindicato de funcionários civis Adedy, Spiros Papaspiros, disse hoje à Agência Efe que "as medidas são muito severas para os trabalhadores e há o temor de mudanças muito ameaçadoras para os direitos dos trabalhadores na seguridade social". Por outro lado, a central sindical GSEE anunciou, em comunicado, que convocou a greve de amanhã "para salvar a Grécia, para dar uma resposta forte contra as medidas severas e de injustiça social", um programa de austeridade que o Governo do primeiro-ministro Giorgos Papandreou adotou para evitar uma quebra no país. EFE afb/pd

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