WASHINGTON (Reuters) - A crise financeira global pode ficar ainda pior se os países responderem criando barreiras para o comércio, disse na quinta-feira o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick. Os países precisam reconhecer os perigos do protecionismo, que pode exacerbar a queda dos mercados financeiros, disse Zoellick em entrevista à imprensa antes das reuniões do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial.

O panorama desanimador para a finalização da Rodada de Doha de negociações comerciais globais levanta preocupações de que os países podem optar pelo protecionismo, disse ele.

Para ele, as negociações de Doha estão como um paciente que é mantido vivo com a ajuda de aparelhos, "o que é uma maneira de dizer que é uma existência muito difícil e ruim".

As negociações passaram de crise em crise nos últimos sete anos, e sofreram outro revés em julho, quando ministros do comércio mais uma vez falharam em chegar a um acordo sobre fórmulas para reduzir os subsídios e as tarifas agrícolas.

Também restam grandes diferenças nos setores de serviços e bens industriais.

Zoellick, ex-representante de Comércio dos EUA, afirmou que o fracasso da Rodada de Doha vai pressionar a Organização Mundial do Comércio como uma instituição, ao mudar seu papel primário de resolver disputas.

"Eu sempre me preocupei de que, se tivermos um sistema de acordos para disputa em que uma parte vence e outra perde, isso pode prejudicar o apoio público nos países que são membros", se não estiver sendo feito também progresso nas negociações para abrir os mercados, disse Zoellick.

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