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Prós e contras na hora de recorrer ao banco

No fim do ano passado, um novo contrato de fornecimento de 9 mil bolos por mês para a rede de supermercados Pão de Açúcar levou Jaime Cândido de Souza e sua mulher, Maria Pires de Souza, a decidirem pela modernização da Ki Delícia, fábrica de fundada pela família há 11 anos no bairro paulistano do Cambuci. A compra de uma dosadora para distribuir a massa nas fôrmas, de uma batedeira de 150 litros e de uma máquina aplicadora de antimofo permitiu o aumento da produção para 100 mil bolos/mês.

Agência Estado |

Com o investimento, a Ki Delícia se adequou para atender o novo cliente. "A aquisição eliminou o risco de contaminação que havia antes com a distribuição manual da massa nas fôrmas", comenta Souza.

No início deste ano, Carlos Sartal e mais 11 donos de pizzarias da Grande São Paulo abraçaram um plano para garantir o sabor das redondas durante o inverno, em risco nessa época do ano por causa da queda da qualidade da mussarela na entressafra do leite. Eles se reuniram e, com a ajuda do Sebrae, formataram um projeto de antecipação da compra de 45 toneladas de mussarela em fevereiro a serem consumidas no inverno, de modo a ter o fornecimento de um bom produto.

Nos dois casos, os empresários só puderam colocar os planos em ação porque recorreram ao crédito bancário. Souza foi incentivado pelo seu gerente no Banco do Brasil a assumir uma linha voltada ao investimento, a do Finame, do BNDES. A compra, no valor de R$ 143 mil, ocorreu no fim de 2007 e os novos equipamentos entraram em funcionamento em março. O pagamento será feito ao longo de cinco anos.

Como queriam apenas comprar matéria-prima, o grupo de Sartal recorreu a uma linha de capital de giro da Caixa Econômica Federal, com prazo de 12 meses. A taxa, pouco acima de 1% ao mês, foi inferior à variação de preço da mussarela. "Além de manter a qualidade das pizzas, conseguimos da alta do preço", explica Sartal. O grupo pagou R$ 7,80 o quilo de mussarela. Hoje o insumo sairia por R$ 9,20 o quilo, ou 18% mais. O projeto, denominado Esquilo ("não é esse o animal que tem o hábito de armazenar o alimento no verão para ter o que comer no inverno?", explica o empresário), foi um piloto e, com o sucesso, tende a ser repetido em 2009 com mais empresários.

Os exemplos de Souza e de Sartal ilustram duas regras a serem observadas na contratação de crédito. A primeira é que um empréstimo só deve ser feito quando o empresário enxerga uma oportunidade clara de expansão, explica Luiz Ricardo Grecco, do setor de Acesso a Serviços Financeiros do Sebrae-SP. "É preciso que a aplicação de um empréstimo gere um aumento de vendas, que resulte em taxa de rentabilidade maior que a taxa de juro cobrada pelo banco." Uma segunda regra é a busca da linha de crédito adequada ao objetivo, diz Rogério Roson, gerente regional de pessoa jurídica da superintendência da Avenida Paulista da Caixa Econômica Federal, na capital. Um investimento demora mais a sair, mas tem juros menores, porque exige garantias mais firmes, prazo maior e carência para pagamento do principal - isso dá tempo para que se instale o novo equipamento no chão da fábrica e ele comece a gerar receita. Souza vai ter carência de um ano para começar a pagar a dívida. "Nesse período só pagarei os juros", ele diz. Já a compra de matéria-prima, até para que não se percam oportunidades de negócio, exige uma liberação mais ágil dos recursos, no caso, um capital de giro. "O dinheiro saiu em uma semana", diz Sartal. Mas há uma terceira regra para prevenir-se contra "bolas de neve financeiras". "Conta garantida e cheque especial são para situações de emergência, nunca são capital de giro para financiar a produção", diz Roson. Essas linhas são as mais caras.

Finame, do BNDES, e Proger, do Ministério do Trabalho, são as linhas de crédito oficiais mais repassadas pelos bancos. Já o capital de giro é a linha mais procurada com recursos próprios dos bancos. A participação desse tipo de empréstimo em relação ao total concedido a pessoas jurídicas de todos os portes subiu de 30% em maio de 2007 para 39% em maio deste ano, com um volume de R$ 126,6 bilhões, segundo dados do Banco Central, principalmente por conta do aquecimento da economia. O capital de giro é usado para compra de insumos (indústria) e formação de estoques de mercadorias (comércio) e o uso dessa linha é uma boa opção quando permite a compra de insumos à vista com desconto superior à taxa de juro.

Perspectivas

O quadro de inflação e juro em alta não arrefeceu, por enquanto, o ânimo de bancos com o crédito a empresas. "O segundo semestre é o melhor período do ano, é quando as empresas buscam recursos para o 13.º salário e capital de giro para fazer os estoques para as vendas de fim de ano", justifica Ademir Cossielo, diretor-executivo do Bradesco. Segundo José Carlos Soares, da diretoria de micro e pequenas empresas (faturamento até R$ 15 milhões) do Banco do Brasil, o quadro econômico atual não deve provocar desaceleração na área de crédito. "Por enquanto, mantemos a expectativa de crescimento da carteira de crédito a esse segmento em 41,2% este ano", diz Soares.

No Bradesco, o crédito para PMEs cresceu 47,6% entre março de 2007 e março de 2008. Já as liberações para grandes empresas evoluíram 36,5% e para pessoas físicas, 34,3%. O boom do crédito a micros, pequenos e médios empresários decorre da economia estabilizada, diz Cossielo. "Houve aumento da demanda interna, com a melhora da renda, queda dos juros e ampliação dos prazos a consumidores."

No Unibanco, segundo Ricardo Botelho, superintendente de Varejo, a demanda por crédito deverá crescer de 30% a 40% na comparação com o desempenho de 2007. "Verificamos dinamismo tanto nas linhas de capital de giro como nas de longo prazo, mas a taxa de crescimento está até maior nas de longo prazo", alerta o executivo. A Caixa Econômica Federal tem para 2008 um orçamento de R$ 40 bilhões destinado a pessoas jurídicas; metade do valor já foi utilizado. "Como 97% dos nossos clientes pessoas jurídicas são micro, pequenas e médias empresas, com faturamento anual de até R$ 15 milhões, a quase totalidade desses recursos é para esse segmento."

Na Nossa Caixa, o objetivo é expandir a carteira de crédito em 60% este ano, segundo Lúcia Helena Cuevas, gerente do Departamento de Estratégia Comercial. Ela explica que o foco são operações de antecipação de recebíveis com empresas fornecedoras do Estado. No Santander, no primeiro quadrimestre, as operações de crédito cresceram 45% ante o mesmo período de 2007 e chegaram a R$ 10 bilhões. Cristiane Nogueira, superintendente de Business da instituição financeira, conta que produtos de crédito e serviços para pequenas e médias empresas (faturamento anual até R$ 20 milhões) ganharam mais importância na instituição há um ano, após estudos de mercado e investimentos em tecnologia e pessoal. "Com a estabilidade da economia, o empreendedorismo do brasileiro se aguçou", comenta.

BNDES

O desembolso para micro, pequenas e médias empresas do sistema BNDES cresceu 49,6% em 2007 ante 2006, saltando de R$ 8,11 bilhões para R$ 12,13 bilhões. Em 12 meses terminados em maio, o volume chega a R$ 14 bilhões, o que mostra que o ritmo de liberações continua acelerado. A quase totalidade dos recursos do BNDES chega ao caixa das micros, pequenas e médias empresas por meio de instituições financeiras oficiais e privadas credenciadas. Entre elas, o Bradesco é líder, com repasse de R$ 2,77 bilhões em 2007, seguido pelo Banco do Brasil, com R$ 1,61 bilhão, e Unibanco, com R$ 1,59 bilhão, segundo estatística de desembolso por agente do BNDES.

As opções

Na hora de buscar empréstimo, o empresário deve obter o máximo de informações sobre o que há no mercado (ver quadro na página ao lado). As opções são:

Linhas do BNDES - são operadas bancos credenciados. Dinheiro para projetos de inovação é fornecido diretamente pelo BNDEs, e não por meio de instituições financeiras.

Linhas de investimento do Ministério do Trabalho (Proger) - são também repassadas ao empresário por meio de bancos credenciados. "Neste caso, a aprovação da operação fica condicionada a aumento ou no mínimo manutenção do quadro de funcionários", explica Grecco.. Ao lado do Finame, do BNDES, o Proger é uma das linhas mais ativas.

Linhas de bancos privados e oficiais com recursos próprios - predominam linhas de capital de giro e cheque especial (conta garantida), mas há algumas voltadas para investimento. Para quem tem receita com cheques pré-datados, duplicatas e cartões de crédito, outra opção são as linhas de antecipação desses recebíveis.

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