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Sem conseguir segurar a própria base, lideranças governistas buscaram setores da oposição identificados com o combate a gastos públicos para tentar barrar as propostas que aumentam as despesas. Em comum, os dois lados estão contra o impulso de deputados, dispersos em todos os partidos, de aprovar projetos populares, de cunho eleitoral, e contendo a pressão de grupos corporativos por aumento salarial.

Sem conseguir segurar a própria base, lideranças governistas buscaram setores da oposição identificados com o combate a gastos públicos para tentar barrar as propostas que aumentam as despesas. Em comum, os dois lados estão contra o impulso de deputados, dispersos em todos os partidos, de aprovar projetos populares, de cunho eleitoral, e contendo a pressão de grupos corporativos por aumento salarial. Essa aliança parlamentar temporária evitou a conclusão até agora da votação da proposta de emenda constitucional que fixa o piso nacional provisório para os policiais civis, militares e para integrantes do corpo de bombeiro no valor de R$ 3.500 para soldados e de R$ 7.000 para oficiais. O texto básico da proposta foi aprovado no início de março e, desde então, a votação do projeto e de qualquer outra proposta de emenda constitucional ficou congelada. Pressão. "Estamos em um período em que o parlamentar não segura pressão nenhuma. A Casa está louca para agradar à clientela", afirma o deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), conhecido por combater aumento de gastos públicos. "Seja qual for o próximo presidente, ele já terá problemas com a herança fiscal existente hoje. Quanto mais aprovar projetos aqui, maior será o problema", completou Madeira. "Um kit Paulo Paim mais um kit Arnaldo Faria de Sá são suficientes para quebrar qualquer País, inclusive os Estados Unidos", acrescenta o deputado Emanuel Fernandes (PSDB-SP). Ele se refere ao senador Paim (PT-RS) e ao deputado Faria de Sá (PTB-SP), que atuam em favor de aumentos nos valores das aposentadorias e do salário mínimo. No limbo. A estratégia do grupo pluripartidário é evitar que os projetos sejam levados a votação. O entendimento na Casa é que os deputados aprovarão qualquer pacote de bondades que chegar ao plenário para ficar bem com os eleitores. Nesse sentido, as medidas provisórias trancando a pauta são aliadas na estratégia. Sete MPs estão trancando a pauta e outras quatro passarão a obstruir os trabalhos em maio. Desde 14 de abril, não foi votado nenhum projeto de lei ou proposta de emenda constitucional nem mesmo medida provisória. A intenção é segurar as votações por mais um mês, levando a Casa em banho-maria. Em junho, haverá um esvaziamento do Congresso com as convenções partidárias, as festas juninas no Nordeste e o feriado de Corpus Christi. Depois disso, a campanha eleitoral tomará todo o tempo político. <i>As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.</i>

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