O trem-bala brasileiro é hoje um dos três grandes projetos do setor em andamento no mundo. Além dele, os principais fabricantes têm como novas possibilidades no curto prazo a construção de ferrovias de alta velocidade no norte da África e no Oriente Médio.

A diferença do trem-bala brasileiro é que, junto aos valores expressivos que compõem o projeto, existe também a questão da disponibilidade de financiamento. E é este conjunto de fatores que faz com que o Trem de Alta Velocidade (TAV) entre Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, seja talvez a melhor oportunidade para as empresas do setor.

Vincent Fertin, um dos diretores da divisão de transportes da Alstom, apesar de ressaltar as previsões de novos projetos, sobretudo porque diversos países adotaram a construção de TAVs como uma maneira de combater a crise, afirma que a maior dificuldade hoje em dia é obter financiamento para a construção das linhas.

Ele cita o exemplo argentino, que está em compasso de espera justamente pela dificuldade de financiar a obra que vai interligar Buenos Aires, Rosário e Córdoba .

Mais adiantado que o TAV brasileiro, segundo ele, somente o de Marrocos, que deve realizar a licitação até o fim do ano. A Arábia Saudita possui o outro grande projeto em andamento. Juntas, as duas linhas totalizarão 1.050 quilômetros.

O interesse dos franceses no projeto do Brasil é grande. Pascoal Lupo, presidente da SNFC, empresa responsável pela administração das linhas ferroviárias na França, desde que assumiu o cargo em abril deste ano já veio ao Brasil três vezes.

Fora as novas linhas, as empresas disputam a renovação dos TAVs já existentes. Nesse sentido, a Europa figura como o grande mercado dos fabricantes. Além da Alstom, a Siemens é o outra empresa com forte presença mundial no segmento.

Na quarta-feira, em entrevista a jornalistas brasileiros, em Paris, Philippe Mellier, presidente mundial da área de transportes da Alstom, afirmou que o financiamento não é problema para a construção do TAV no Brasil, pois além da estabilidade econômica, o governo já sinalizou que vai colocar dinheiro no projeto.

Recentemente, o principal executivo da empresa no Brasil, Philippe Delleur, falou à imprensa que a Alstom já havia garantido entre 2 e 3 bilhões de euros junto a um consórcio formado por grandes bancos da França.

Para Mellier, além do interesses dos investidores, a grande vontade política demonstrada até o momento permite crer na implantação do TAV no Brasil.

A partir do ano que vem, as atenções deverão voltar-se também aos Estados Unidos, já que uma das medidas anunciadas pelo governo americano é a revitalização do setor ferroviário, o que inclui a compra de trens de alta velocidade.

* O repórter viajou a convite da Alstom

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