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A previsão do mercado financeiro para o aumento da inflação em 2010 já ronda os 5%. Pesquisa semanal divulgada ontem pelo Banco Central (BC) mostra que a projeção dos analistas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 4,91% para 4,99% em apenas uma semana, na sétima elevação consecutiva.

Com aumentos seguidos das estimativas, o número previsto se afasta ainda mais do centro da meta de inflação do governo para o ano, de 4,50%.

No atual ambiente de recuperação da atividade econômica, analistas apostam que o aumento de preços no decorrer de 2010 afetará os custos das empresas e, em seguida, será repassado aos consumidores. Esse cenário fica evidente na pesquisa do Banco Central.

Para os analistas financeiros, o Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M) - que tem 60% dos preços coletados no atacado e, por isso, é um termômetro de custos das empresas - terá aumento de 5,91% em 2010. Essa estimativa sobe ininterruptamente há oito semanas. O cenário de inflação mais alta não lembra em nada o ano passado, quando o IGP-M registrou deflação de 1,72%, a primeira queda anual desde sua criação em 1989.

Para 2011, porém, o mercado reduziu a projeção para o IPCA de 4,53% para 4,50%. Assim, o número retornou ao centro da meta, patamar que prevaleceu por 86 pesquisas até a alta verificada na semana passada. Institutos como a Fundação Getúlio Vargas (FGV) que calculam índices de inflação explicam que os preços nas empresas têm subido pelo aumento de custo das matérias-primas.

O movimento acompanha a maior demanda gerada pelo aquecimento da economia brasileira e internacional. No comércio, esse aumento é repassado ao consumidor. Nos dois casos, também há alguma recomposição da margem de lucro das fábricas e do varejo.

Apesar das apostas cada vez mais altas para a inflação, analistas mantiveram a previsão de que o juro básico da economia, a Selic, não deve sofrer alteração na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que acontece na próxima semana.

Para o mercado, o BC deve começar a subir o juro apenas em abril para tentar debelar o aumento dos preços e, assim, levar a inflação para o centro da meta. Na pesquisa Focus, prevaleceu a previsão de que o juro sobe 0,50 ponto porcentual no próximo mês, para 9,25% ao ano. Depois, são esperadas altas idênticas nas reuniões de junho, julho, setembro e outubro.

Assim, a Selic terminaria o ano em 11,25%. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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