SÃO PAULO - A fornecedora de softwares de gestão corporativa Progress Software não irá reduzir suas expectativas de negócio para o Brasil, mesmo com a crise financeira internacional. Ainda assim, a empresa admite que ainda precisa analisar melhor a situação econômica mundial e avaliar seu impacto sobre a operação de seus clientes e, conseqüentemente, em sua própria.

A empresa planeja um crescimento de entre 25% e 30% em suas receitas no Brasil neste ano fiscal - que se encerra em novembro. Para o presidente da companhia no país, Luiz Cláudio Menezes, a economia brasileira não será tão impactada como a de outros países pela crise. "Temos muito otimismo para o ano e também com relação a 2009 e mesmo 2010, pois estamos vendo uma manutenção na curva de crescimento", afirma Menezes.

Segundo o executivo, os fundamentos da economia brasileira ainda são muito sólidos e uma espécie de blindagem em relação ao pior da crise. "A situação é tal que a dúvida reside em se vamos crescer muito ou pouco, mas certamente haverá expansão no mercado", afirma ele.

A opinião do executivo local é respaldada pelo diretor-geral da empresa para a América do Sul, Carlos Atehortua, que projeta para o país um crescimento de 2,8%. "Não vemos um risco muito grande para o real. Certamente não teremos o ritmo anterior de crescimento no país, que era forte, mas definitivamente não haverá uma depressão", afirma o Atehortua.

No mercado global, porém, a avaliação da empresa ainda é incerta a respeito da crise. Para o vice-presidente para as Américas da Progress, Larry Diloretto, a crise apresenta dois lados. Um deles é a exigência que recai sobre fornecedores de tecnologia, como sua empresa, de acompanhar os clientes de forma a ajudá-los a encontrar os melhores produtos e serviços para enfrentar a turbulência econômica, adaptando sua oferta às necessidades e capacidades.

"Por outro lado, investidores como Warren Buffett agora estão lá, investindo, se aproveitando das oportunidades desse momento", diz Diloretto. Segundo ele, muitas empresas ainda apresentam balanços saudáveis e irão utilizar a situação do mercado para realizar investimentos necessários em ampliação e modernização.

Ele reconhece, porém, que a crise terá um efeito cumulativo que pode, em algum momento, afetar os negócios da Progress. "Assistimos aos mesmos programas de TV e lemos os mesmos jornais. Sabemos que sem crédito os consumidores não podem comprar e, sem consumo, a indústria não produz", afirma Diloretto. "Nossa vantagem é atuar de forma bastante distribuída, em vários segmentos do mercado, o que pode minimizar os efeitos da crise que nos serão trazidos por nossos clientes", acrescenta.

Segundo ele, a empresa ainda irá se reunir, buscando análises de seus líderes regionais para, então, definir qual o potencial de risco da crise em suas operações e o que fazer para prevenir problemas maiores. Até agora, porém, ainda é incerto para a Progress qual é sua vulnerabilidade global.

"Estamos trabalhando próximos de nossos clientes para ajustar nossos planos de acordo com a tendência que observamos em suas operações", afirma Diloretto. "Isso nos permite tomar atitudes rápidas em resposta aos efeitos que a crise terá sobre nossos clientes", acrescenta.

Diloretto, porém, corrobora a visão de que o Brasil deverá ficar mais imune à crise que outros mercados. "O Brasil sempre liderou o crescimento na região da América Latina, e essa tendência deve se manter", afirma ele.

A companhia, cujas principais concorrentes são a IBM e a Oracle, tem uma grande parceria com Datasul, recém adquirida pela Totvs. Segundo Menezes, a integração das duas empresas brasileiras pode resultar em boas oportunidades para a Progress, uma vez que terá uma base mais ampla de clientes na parceira para oferecer seus produtos e serviços.

No terceiro trimestre deste ano, a empresa elevou em 4% sua receita, que chegou a US$ 127 milhões. Apenas com licenças de software, ela apresentou faturamento de US$ 46 milhões, 5% mais que em igual trimestre de 2007. A empresa não divulga dados regionais de receita, embora diga que, na América Latina, o Brasil é responsável por cerca de 70% de seus negócios.

(José Sergio Osse | Valor Online)

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