Mesmo atenta, bem informada e com todos os documentos necessários em mãos para a aprovação do crédito, uma professora universitária que preferiu não ser identificada foi vítima da demora na liberação do crédito imobiliário e, por isso, terá de arcar com um prejuízo alto. Como o banco ultrapassou o limite de 60 dias para depositar o dinheiro - prazo estipulado no contrato de compra e venda para que ela entregasse todo o valor ao vendedor - ela agora está sujeita a pagamento de multa de 2% sobre o total do imóvel, mais correção monetária diária.

Na opinião da professora, a culpa é da instituição bancária que não está preparada para atender à demanda provocada pelo boom imobiliário. "No meu caso, não teve nenhuma documentação errada. Eu percebo que eles aumentaram muito a carteira e quem vende o produto é o gerente, você nunca tem acesso ao departamento do crédito imobiliário diretamente", reclama.

Ela pagou o sinal e assinou o contrato no dia 26 de abril. O banco deu prazo de até 30 dias para liberar o dinheiro, mas até hoje o dinheiro não foi pago. A demora, segundo ela, já começou pela vistoria, que levou 20 dias para ser feita, em vez de uma semana, que é o praxe.

Por causa disso, as férias de julho viraram um transtorno: "A gente fez uma programação, encaixotou a mudança, mas eu não tinha perspectiva exata. Foi um dia após outro dia indo ao banco." Por fim, ela conseguiu negociar com o dono do imóvel para se mudar assim mesmo.

O diretor de crédito imobiliário da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) discorda que o boom imobiliário esteja afetando a velocidade da liberação do crédito. "Os bancos entraram com toda infra-estrutura necessária para dar agilidade. Todo mundo quer velocidade." Mas ele ressalta que há casos que se mostram mais complicados que outros. "Você tem que ter certeza de que não pesa nenhum gravame sobre o bem".

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.