SÃO PAULO - A despeito da maioria das previsões conhecidas, o economista americano Charles Calomiris, professor da Universidade de Columbia, disse hoje que a economia brasileira poderá apresentar recessão em 2009. Na sua avaliação, o Brasil terá o desempenho menos pior da região latino americana, porém com chances de retração econômica.

A economia nacional, segundo ele, terá performance semelhante, porém superior às de Chile e Colômbia.

Assumidamente pessimista com o desempenho da economiza global em 2009, Calomiris acredita que o governo de Barack Obama não conseguirá tomar medidas efetivas durante os quatro primeiros meses de gestão, o que, segundo ele, "é uma eternidade" para o mercado financeiro. "Só vai trazer mais recessão", disse o economista.

Ele também afirmou que a postura "anticomércio exterior" de Obama - que votou favoravelmente a medidas contra a China e outros acordos bilaterais - dá mais argumentos para se imaginar uma "administração limitada" do democrata no campo econômico.

O cenário descrito por Calomiris para a economia brasileira não é compartilhado por outros especialistas presentes ao seminário "Depois da tempestade: a economia brasileira em 2009", promovido hoje pela Febraban, em São Paulo.

O economista-chefe do Itaú, Tomás Málaga, descarta a tese da recessão. "Crescimento negativo no ano que vem é muito difícil. Se não fizermos nada, já cresceremos 1,5%", disse ele. Na sua avaliação, o Banco Central poderá iniciar o processo de corte dos juros durante o primeiro trimestre de 2009, dando assim um estímulo maior para o crescimento do PIB.

Segundo Málaga, a temporada de cortes na Selic será possibilitada pela queda no preço das commodities, com o consequente barateamento dos produtos e redução das pressões inflacionárias. "Agora, se o BC não cortar os juros, poderá dificultar um pouco mais o crescimento", ponderou o executivo.

Com visão diferente sobre a trajetória da Selic, mas também confiando no crescimento da economia brasileira em 2009, o economista da Tendências Consultoria Márcio Nakane projeta uma expansão de 3,2% para o PIB no próximo ano - ante mais de 5% este ano -, em um cenário de desaceleração da geração de emprego.

Sobre o pessimismo do economista americano, Nakane disse que a recessão está muito longe. No entanto, afirmou que a Tendências poderá rebaixar sua previsão para o PIB do ano que vem. Para a Selic, a expectativa é de queda apenas no final de 2009.

(Murillo Camarotto | Valor Online)

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