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Produtos não-alimentícios seguram desaceleração do IPCA, diz IBGE

RIO - A queda dos alimentos foi a principal responsável pela desaceleração do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em setembro, mas o comportamento dos não-alimentícios evitou uma desaceleração maior do índice. Os não-alimentícios já respondem por aproximadamente 2,7 ponto percentual dos 4,76% acumulados pelo IPCA nos nove primeiros meses do ano.

Valor Online |

De acordo com Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de índices de preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o comportamento dos alimentos ao longo do ano - o grupo acumula alta de 9,29% desde janeiro - encobria o comportamento dos não-alimentícios. Nos dois últimos meses, com duas deflações seguidas no grupo Alimentação e Bebidas, de -0,18% e -0,27%, ficou à mostra a curva ascendente dos não-alimentícios.

O acumulado em 12 meses dos não-alimentícios atingiu 4,44% em setembro e este indicador mostra avanços seguidos desde os 2,76% observados em janeiro. Em setembro, os não-alimentícios mantiveram a mesma taxa observada em agosto: 0,42%.

" O que se observa desde o começo do ano é que, apesar da supremacia dos alimentos, os não-alimentícios também apresentaram taxas em sentido de crescimento " , frisou Eulina.

No acumulado do ano, os não alimentícios representaram aproximadamente 2,7 ponto percentual do total de 4,76% observados pelo IPCA, enquanto os alimentos ficaram com 2,02 ponto percentual. Entre os principais impactos de alta nos não-alimentícios, Eulina destacou os artigos de limpeza, com alta de 9,29% desde janeiro e peso de 0,78% no IPCA. Outros impactos importantes foram de aluguel, com 4,54% no ano, artigos de reparos, com 6,23%, vestuário, com 4,18%, remédios, com 3,78% e empregado doméstico, com 7,94%.

Entre os nove grupos listados pelo IBGE, enquanto Alimentação e Bebidas aprofundou a deflação entre agosto e setembro, outros cinco aceleraram a trajetória no período. Artigos de residência passou de 0,23% em agosto para 0,37% em setembro; Vestuário pulou de 0,39% para 0,70%; Transporte subiu de 0,06% para 0,39%; Saúde de cuidados pessoais avançou de 0,32% para 0,46%; e Despesas pessoais foi de 0,73% para 0,80%.

" No geral, com consumo mais aquecido, você tem tendência de pressionar alguns setores, como vestuário e serviços. Pode ser uma alta silenciosa, encoberta pela alta dos alimentos, que eram espalhafatosos e tomavam nossa atenção " , brincou Eulina, lembrando que no ano os não-alimentícios sobem 3,50%.

Sobre os alimentos, Eulina atribuiu a segunda queda seguinte no índice à continuidade da queda das commodities nas bolsas de mercadorias e à boa safra de alguns produtos no Brasil. Segundo ele, ainda não foi possível observar os efeitos da valorização do dólar no IPCA de setembro.

" Pode ser que mais para frente dê para perceber o efeito do dólar. Em choques anteriores, como em 99 e 2002, esse efeito vem primeiro nos alimentos, artigos de limpeza e cuidados pessoais. Mas não dá ainda para ver esse efeito " , ressaltou a técnica do IBGE.

Para o próximo mês, Eulina explicou que há aumentos esperados para os cigarros e para a taxa de água e esgoto em São Paulo, que deve subir cerca de 5% a partir do dia 11 de outubro.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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