Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Produtores rurais exibem dívidas e protestam em Cuiabá

Cuiabá, 28 - Produtores rurais do Estado de Mato Grosso montaram uma exposição de tratores e colheitadeiras hoje, em Cuiabá, para protestar contra os altos juros cobrados pelos equipamentos. Em cartazes afixados nas máquinas, eles mostravam que uma colheitadeira comprada por R$ 330 mil em 2003, dos quais R$ 297 mil foram financiados, vale hoje R$ 181 mil, mas a dívida do financiamento é de R$ 535 mil.

Agência Estado |

Um trator de R$ 180 mil, dos quais R$ 162 mil foram financiados, hoje vale R$ 117 mil, mas o produtor deve ao banco R$ 292 mil.

De acordo com o presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Mato Grosso (Famato), Rui Prado, as dívidas vêm sendo prorrogadas há quatro anos porque os agricultores não conseguem renda para pagar os débitos. Por essa razão, mais de uma centena de máquinas foram arrestadas pelos bancos ligados às empresas fabricantes. Ontem, uma liminar do juiz José Zuquim Nogueira, da Vara Especializada em Ação Pública e Popular de Cuiabá, determinou a suspensão dos arrestos e a liberação das máquinas apreendidas.

De acordo com Prado, a decisão é provisória - as instituições financeiras devem entrar com recursos - e não resolve o problema do débito. "Não temos como pagar e o governo precisa nos ajudar a encontrar uma solução." A proposta da Famato é readequação dos valores e o reescalonamento do débito a longo prazo. "Não adianta só empurrar para o ano que vem, pois o problema vai continuar." Ele considerou o arresto uma medida sem precedentes no mundo. "Em qualquer outro país há política clara de apoio à agropecuária."

O deputado Homero Pereira (PR-MT) sugeriu um movimento de produtores a exemplo do que paralisou, recentemente, a Argentina, em protesto contra as medidas da presidente Cristina Kirchner. "Vamos trancar as rodovias se for preciso." Ele defendeu o subsídio aos produtores. "Os 80% da população que optou por viver no conforto da cidade precisam apoiar aqueles 20% que se sacrificam no campo."

O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, disse que o governo trata o produtor rural de forma "desprezível". Segundo ele, o setor deu sustentação à economia do País e garantiu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com política da comida barata na mesa do brasileiro. "O presidente aceita o calote da Bolívia e do Equador, mas não enxerga a dificuldade do produtor. Na próxima safra, o susto do governo vai ser grande", afirmou.

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG