Brasília, 16 - Descartada pelo governo para integrar a segunda fase do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC 2), a proposta de construção da hidrovia Teles-Pires/Tapajós - que ligará o norte do Mato Grosso a Santarém (PA) - continua como bandeira de produtores rurais para redução de custos. Eles insistem que a transformação dos rios em águas navegáveis pode significar uma queda de até 75% dos gastos do agricultor.

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, ponderou, porém, que os interessados no projeto não apresentaram qualquer estudo sobre a viabilidade do projeto, o que teria sido o principal fator para a exclusão do PAC 2. Se colocada em prática, a hidrovia ligará o norte de Mato Grosso a Santarém (PA) em um trecho de aproximadamente 1,6 mil quilômetros.

Um exemplo apresentado hoje pelos produtores durante a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Soja é a de Sinop, grande produtora de Grãos de Mato Grosso. Pelos cálculos do presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja) do Mato Grosso, Glauber Silveira da Silva, o frete de soja até o porto de Paranaguá (PR) passaria dos atuais R$ 220,00 por tonelada do grão para R$ 60,00 com o uso da hidrovia. "O frete mais caro do País passaria a ser um dos mais baratos", comparou Silveira.

Segundo o presidente da Aprosoja, em encontro ontem com o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, os produtores enfatizaram a necessidade da Teles-Pires/Tapajós. "Vemos a decisão do governo de não usar a hidrovia com muita preocupação", disse Silveira. Ele ressaltou que, além dos custos mais baixos para o produtor, é preciso levar em conta que a hidrovia é um dos meios de transportes com menor índice de poluição.

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