Tamanho do texto

Belo Horizonte, 07 - Cerca de 8 mil produtores de leite da região de Pompéu, no Centro-Oeste de Minas Gerais, e de outros municípios do Alto São Francisco distribuíram 20 mil litros do produto no município em uma manifestação contra os preços baixos pagos aos pecuaristas. De acordo com o presidente da Comissão de Pecuária Leiteira da Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg), Eduardo Dessimoni, os pecuaristas elaboraram uma pauta de reivindicações, que deverá ser encaminhada ao Ministério da Agricultura, com medidas para minimizar o impacto da crise sobre o setor.

Entre as medidas, Dessimoni destacou a adoção de mecanismos como os Empréstimos do Governo Federal (EGF) e Aquisições do Governo Federal (AGF), recursos para a estocagem e a retomada do programa de apoio ao Marketing de Promoção e Consumo de Lácteos, que poderá contar com contribuições dos produtores e indústrias. Além disso, os produtores querem a prorrogação de dívidas de custeio e investimentos.

Conforme Dessimoni, a trajetória de queda nos preços do produto tem levado ao abate de matrizes em todo o Estado, que é o principal produtor do país. Segundo ele, o produtor está descapitalizado e sem alternativa e a única opção é o descarte de matrizes. "Entre os frigoríficos já existe a percepção que aumentou consideravelmente o abate de matrizes leiteiras", apontou.

O presidente da Comissão de Pecuária Leiteira da Faemg aponta que a principal reivindicação dos produtores é que o governo adote uma política de correção que previna crises de excesso de oferta. "As crises são cíclicas e o produtor já não consegue mais programar sua atividade", disse.

Cepea

De acordo com os últimos dados divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/ESALQ-USP), o preço médio do leite pago ao produtor (referente ao leite entregue em setembro) caiu 7,3% ou 4,8 centavos por litro em outubro, ante o valor pago em setembro de R$ 0,6096 o litro.

Desde julho, quando os preços começaram a cair, a média ponderada nacional, que considera as cotações em sete Estados, aponta que a queda já atingiu 15 centavos por litro. "Acredito que não há mais espaço para redução. O produtor também não suporta trabalhar com preços abaixo do custo de produção", afirmou Dessimoni.