Pelo menos três projetos parecidos podem ser transformados em um só. "Não há demanda para todos", diz vice-presidente da ETH

 Em vez de cada um construir o seu alcoolduto, produtores de etanol devem se unir num único projeto de infraestrutura para viabilizar o transporte do combustível das regiões produtoras para os mercados consumidores. A construção de um duto ligando usinas de cana-de-açúcar do interior do Centro-Oeste a São Paulo, com cerca de dois mil quilômetros de extensão incluindo as ramificações, exige investimentos de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões e pode ter a participação de pelo menos três empresas que possuem projetos de logística muito parecidos.

"Não existe espaço para três alcooldutos. O grande desafio do setor hoje é fazer convergir esses projetos numa estrutura única", afirma Luis Felli, vice-presidente de Operações Agroindústria da ETH Bioenergia, subsidiária da Odebrecht no setor sucroalcoleiro. Segundo ele, é necessário um alcoolduto com diâmetro maior que o usual para atender à demanda dos produtores.

Com vistas à exportação de etanol, a ETH projeta um alcoolduto ligando usinas de Goiás a Paulínia. Além de facilitar o transporte, dando mais agilidade ao abastecimento, o duto reduziria em pelo menos 20% o custo de logística da ETH.

O alcoolduto planejado pela PNCC, empresa da Petrobras em parceria com a Mitsui, vai de Senador Canhedo, em Goiás, passando por Campinas até São Paulo. Uma ideia é avançar até o Rio de Janeiro, ponto incomum aos projetos das concorrentes. Em parceria com usineiros, a Cosan também teria interesse na construção de um alcoolduto na mesma região.

As empresas já começaram a trocar informações sobre a semelhança dos projetos. "Hoje existem conversas nesse sentido, mas tem de passar por uma decisão empresarial", acrescentou o executivo da ETH.

A produção de etanol da ETH Energia em 2010 deverá chegar a 900 milhões de litros. Felli participou hoje do 3° Foro Brasil-União Europeia: Motivos da Relação Estratégica, no Copacabana Palace, no Rio.

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