Buenos Aires, 26 - Os fazendeiros argentinos encerraram na última terça-feira um locaute de cinco dias após participarem de reunião com o governo, que aceitou fazer concessões sobre as tarifas de exportação aplicadas ao trigo e leite e aumentar os subsídios para produção de carne. O governo ainda não definiu quanto será o corte.

Não houve acordo sobre as tarifas para a soja e milho.

"Pelo menos, podemos dizer que uma nova rodada de negociação foi iniciada, com resultados parciais em alguns produtos, como o trigo, lácteos, e eliminação de tarifas (de exportação) e subsídio à carne. Mas ainda não chegamos a um acordo no caso da soja e do girassol", disse o líder dos ruralistas Eduardo Buzzi. Segundo ele, um novo encontro entre governo e ruralista deve ocorrer na próxima semana.

Buzzi e mais cinco líderes dos ruralistas reuniram-se ontem por mais de quatro horas com a ministra da Produção, Débora Giorgi, e outros representantes do governo.

A greve, que teve início na sexta-feira passada, provocou a paralisação das entregas de carne em praticamente todos os grandes supermercados de Buenos Aires. Desta vez, no entanto, não houve registro de desabastecimento na capital, como havia acontecido durante o último locaute promovido pelo grupo entre março e julho de 2008.

Mais de 250 mil fazendeiros protestam contra as altas tarifas de exportação - de 35% para a soja e algo entre 20% e 35% para outros grãos - que limitam os ganhos do setor, justamente no período em que o país sofre os efeitos da pior seca em 50 anos. O ministro do Interior, Florêncio Randazzo, disse à imprensa que a redução das tarifas de importação custará ao governo US$ 364 milhões ao ano.

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