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Produção industrial recua na esteira da crise financeira em outubro

RIO - Os efeitos da crise financeira internacional atingiram o setor industrial brasileiro em outubro, quando houve queda de 1,7% na produção industrial frente a setembro, a maior baixa na comparação com ajuste sazonal desde novembro do ano passado, quando o recuo foi de 2,1%. Para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o resultado de outubro foi puxado pelas férias coletivas e paralisações planejadas ou não planejadas, principalmente na categoria de bens intermediários.

Valor Online |

Silvio Sales, coordenador de indústria do IBGE, comentou que esse primeiro efeito só poderá ser confirmado como uma tendência de adaptação da produção industrial a um novo patamar de demanda depois da divulgação dos dados relativos ao último mês do ano.

" Percebemos uma freqüência razoável sobre férias coletivas e paralisações não planejadas para os setores de insumos, de bens intermediários. Mas só as estatísticas do fim do ano vão mostrar se foi efeito de paralisia localizada ou o início de uma desaceleração " , frisou Sales.

O maior impacto para a queda de 1,7% na série com ajuste sazonal veio dos bens intermediários, que recuaram 3%, o maior tombo desde os 3,04% de outubro de 2001. Entre os ramos pesquisados, a baixa foi puxada por Outros Produtos Químicos, que despencou 11,6% depois de cair 5% em setembro. De acordo com Sales, o setor sofreu com o câmbio - que elevou os custos de importação de insumos para fertilizantes -, com paradas, programadas ou não, de instalações, e com férias coletivas. Em três meses, o setor acumula queda de 20,9%.

No setor de Refino de Petróleo e Álcool, a queda em outubro foi de 9%, sobressaindo a paralisação de uma grande refinaria. O grupo teve o segundo maior peso na baixa de 1,7% em outubro. Outros Produtos Químicos e Refino de Petróleo e Álcool têm, cada um, peso de cerca de 7% na produção da indústria brasileira, conforme o IBGE.

Outros decréscimos importantes foram de Máquinas e Equipamentos, com baixa de 5,2%, e Veículos Automotores, que caíram 1,4%. De acordo com Sales, no setor de Veículos Automotores, o principal fator para a baixa em outubro veio das férias coletivas, enquanto em Máquinas e Equipamentos pode ter havido efeito da linha branca de eletrodomésticos.

Entre as demais categorias de uso, os bens de capital caíram 0,5% em outubro frente a setembro, enquanto os bens de consumo duráveis recuaram 4,7% e os semiduráveis e não-duráveis tiveram baixa de 2,2%.

Como resultado, a média móvel trimestral recuou 0,6% em outubro, interrompendo trajetória de crescimento de quatro meses. A queda foi a maior desde o decréscimo de 1,1% de setembro de 2005.

Na comparação outubro de 2008 e outubro de 2007, a indústria registrou alta de 0,8%, o menor resultado para esta comparação desde o 0,3% de dezembro de 2006. Sales destaca que a forte desaceleração aconteceu mesmo com a existência de um dia útil a mais em outubro deste ano perante igual mês do exercício passado.

Como resultado, o acumulado em 12 meses desacelerou de 6,8% em setembro para 5,9% em outubro. A diferença de 0,9 ponto percentual é a maior diferença negativa nesta comparação desde que o acumulado em 12 meses pela produção industrial passou de 8,6% em fevereiro de 2005 para 7,6% em março daquele mesmo período.

Entre as categorias de uso, a alta foi puxada por bens de capital, que subiram 15,8% frente a outubro do ano passado, seguido pelo crescimento de 0,6% na produção de bens de consumo semiduráveis e não-duráveis. Os bens intermediários subiram 2,4% e os bens duráveis cresceram 1,5%.

" A informação mais positiva em outubro foi a sustentação do ritmo de bens de capital, que sofrem os efeitos de decisões de expansão tomadas no passado " , disse Sales.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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