Rio de Janeiro, 3 fev (EFE).- A produção industrial do Brasil desabou 12,4% em dezembro em comparação com novembro, a maior queda pontual em 18 anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados hoje.

O Instituto informou que, na média de 2008, a produção industrial avançou 3,1%.

No entanto, essa expansão anual equivaleu à metade dos 6,0% que a indústria tinha alcançado em 2007, no meio do auge da economia que terminou com uma freada forte em setembro do ano passado.

"A redução de 12,4% observada na passagem de novembro para dezembro de 2008 foi a mais acentuada da série histórica (iniciada em 1991), e levou o patamar de produção ao nível observado em março de 2004", destacou o IBGE.

Comparado com dezembro de 2007, a queda na indústria brasileira foi de 14,5%, segundo o Instituto.

O maior impacto da crise econômica no setor industrial brasileiro -um dos mais fortes da América Latina- se verificou em todo o terceiro trimestre, com quedas em série, e entre setembro e dezembro acumulou uma perda de 19,8%.

No resultado acumulado do último trimestre do ano, o retrocesso foi de 9,4% em relação ao terceiro trimestre e de 6,2% comparado com o último trimestre de 2007.

O relatório destaca que 25 dos 27 setores industriais estudados tiveram um desempenho negativo, com exceção de "celulose e papel", que cresceu 0,4%, e o de equipamentos de transporte, que avançou 6,7%.

"Esse quadro de queda generalizada foi especialmente marcado pelo movimento de setores mais sensíveis à restrição do crédito e à queda das exportações de matérias-primas e produtos básicos", destacou o documento.

A maior queda ocorreu no setor de veículos automotores, com 39,7%, seguido de máquinas e equipamentos (19,2%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (48,8%), metalúrgica básica (18,3%) e borracha e plásticos (20,1%).

Os retrocessos nestes setores são muito mais acentuados se comparados com os resultados de dezembro de 2007, o que "evidencia o aprofundamento do ritmo de queda", enquanto se amplia o número de segmentos industriais com taxas negativas.

A produção retrocedeu em 70% dos 755 produtos estudados, o que representa outro recorde histórico, afirmou o IBGE. EFE ol/db

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