RIO DE JANEIRO - A indústria brasileira registrou queda de 18,2% na produção no período de quatro meses, a partir dos resultados de outubro de 2008 a janeiro deste ano, segundo o coordenador de indústria do IBGE, Silvio Sales. Todas as categorias tiveram um tombo na produção nesse período: bens de capital (-20,4%), bens intermediários (-17,8%), bens de consumo duráveis (-29,7%) e bens de consumo semi e não duráveis (-7,6%).

Em base anual, a queda na produção industrial em janeiro deste ano ante igual mês do ano passado (-17,2%) foi "generalizada", destacou Sales. A pesquisa do IBGE mostrou que 75% dos 755 produtos pesquisados pelo instituto registraram queda na produção nessa base de comparação. Das 27 atividades investigadas, 26 registraram recuo e houve aumento apenas em outros equipamentos de transporte (39,2%), puxado pela produção de aviões.

Estoques

Sales avalia que os dados da produção industrial de janeiro mostram que o ajuste de estoques do setor pode ter atenuado, mas continua em curso. Para Sales, as indústrias parecem procurar um novo patamar de produção que atenda à demanda projetada.

Segundo ele, a tendência da produção industrial brasileira continua negativa, apesar do aumento de 2,3% apresentado em janeiro ante dezembro de 2008. "Pior seria se ainda houvesse queda ante mês anterior, mas não se sabe se a indústria iniciou um processo de inflexão ou, se iniciou, se será suficiente para uma recuperação", observou. Em janeiro, o patamar de produção da indústria voltou aos níveis de março de 2004, mas esteve um pouco superior ao alcançado em dezembro do ano passado.

Sales observou ainda que o aumento registrado na produção em janeiro, após três meses consecutivos de queda ante mês anterior, foi puxado exatamente pelos segmentos que "caíram muito" em dezembro, como veículos automotores.

Veículos

O coordenador do IBGE avalia que o aumento de 40,8% na produção de veículos automotores (inclui autopeças, caminhões e, sobretudo automóveis) em janeiro ante dezembro de 2008, após uma queda de exatamente 40,8% em dezembro ante novembro, reflete os efeitos positivos que a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) teve sobre as vendas e produção de automóveis.

No entanto, segundo ele, mesmo com essa clara relação entre o tributo e o desempenho do setor, há agora um problema adicional para a indústria automotiva, que é o aumento da inadimplência. "Há sinais de inadimplência neste início de ano, que podem ser a contrapartida dessa redução de IPI", afirmou.

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