A paralisação dos petroleiros embarcados nas 42 plataformas da Petrobras na Bacia de Campos, iniciada na madrugada de hoje, pode provocar uma queda de 7,5 milhões de barris de petróleo na produção da estatal, caso a adesão seja total e a greve dure os cinco dias planejados inicialmente. A estimativa é do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF).

O cálculo considera a produção média de 1,5 milhão de barris de óleo por dia da Bacia de Campos, que representa cerca de 80% do total produzido no País.

De acordo com nota divulgada no site do Sindipetro-NF, 13 plataformas já haviam parado à produção hoje, o que, segundo estimativas da entidade, corresponde a uma redução de 400 mil barris por dia.

Duas mobilizações parciais de 72 horas já foram feitas por funcionários da Petrobras embarcados, mas em serviços que não afetam diretamente a produção de petróleo. Segundo o sindicato, as paradas ocorreram entre os dia 30 de junho e 2 de julho e entre a segunda-feira e a quarta-feira da semana passada (dias 7 e 9 de julho), o que seria uma demonstração de que os petroleiros estariam propensos a aderir à greve programada para esta semana.

Na última sexta-feira (dia 11), uma reunião realizada entre representantes do Sindipetro-NF, a Petrobras e o Ministério Público do Trabalho terminou sem acordo. Segundo o diretor de Comunicação do Sindipetro-NF, Marcos Breda, as partes se reuniram em busca de consenso para permitir uma produção mínima durante o período de greve, mas não houve sucesso.

No fim da semana passada, em São Paulo, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse que a estatal está preparada para que uma eventual paralisação não afete o volume produzido. "Vamos montar um plano de contingência e exigir condição mínima para manter a produção", afirmou.

Reivindicações

O impasse entre a empresa e o Sindipetro-NF refere-se à maneira como a companhia mede a jornada de trabalho dos petroleiros. O Sindipetro-NF pede o reconhecimento do dia de desembarque das plataformas como dia de trabalho. Hoje, os turnos na Bacia de Campos são de 14 dias de trabalho embarcado por 21 de folga. Como o primeiro dia de folga é praticamente perdido no transporte entre a plataforma e o continente, conforme argumentam os trabalhadores, o sindicato propõe uma mudança nos turnos para 15 dias trabalhados e 20 de folga, para efeitos de pagamento.

A outra reivindicação dos trabalhadores, de aumento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), é levada à estatal por meio da Federação Única dos Petroleiros (FUP), pois trata-se de um pleito que tange os funcionários da companhia em todas as unidades no País. A FUP decidirá se a greve será de alcance nacional.

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