SÃO PAULO - O mercado de autoveículos do Brasil deve continuar registrando melhora neste mês de fevereiro, de acordo com projeções da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), que indicam que a média diária de produção da indústria deve atingir 10.800 unidades, ante os 8.

900 unidades verificadas em janeiro. Em dezembro, esta média chegou a 4.600 unidades.

No caso dos licenciamentos, a recuperação é mais sutil. Levando em conta a média diária registrada pela indústria até o último dia 6 de fevereiro, a Anfavea estima que as vendas em unidades neste mês devem chegar a 9.800 unidades, acima dos 9.400 autoveículos licenciados por dia, em média, no mês passado.

Segundo Jackson Schneider, presidente da entidade, o efeito da redução do IPI, repassado aos consumidores foi "direto, importante e adequado" para o setor.

Ainda que não considere a redução de IPI um incentivo à indústria, dado que ele é repassado ao consumidor, o dirigente admite a influência positiva desta medida.

Schneider nega que a indústria tenha atuado com "pessimismo exagerado" no freio da produção em dezembro. Segundo ele, a espera de alguns consumidores por alguns modelos é localizada e é gerada por um "descadenciamento na produção".

De acordo com o dirigente, quando o setor determina as férias coletivas não é possível selecionar modelos que continuariam em produção. Segundo ele, 450 modelos são fabricados no país. Ele afirma ainda que o tempo de espera noticiado pela imprensa - entre 60 e 90 dias - para alguns modelos é um "exagero".

Além disso, Schneider destaca que as medidas do governo foram anunciadas no meio de dezembro, depois que muitas montadoras já haviam anunciado férias coletivas.

Questionado sobre a intenção do setor de reivindicar ao governo a prorrogação da redução do IPI, o presidente da Anfavea que ainda é cedo para tratar deste assunto. "Não acho necessário agora. Temos prazo suficiente para avaliar os efeitos desta medida", disse. A vigência da medida termina no final de março.

A Anfavea não fez projeções para este ano, alegando que as condições de mercado continuam muito incertas.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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