O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou ontem que a queda na produção agrícola na safra 2008/09 pode ser de 5% - previsão mais pessimista do que a retração de 2,5% divulgada ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que espera uma produção de 140,30 milhões de toneladas. Na avaliação da estatal, as baixas cotações das commodities, especialmente milho e algodão, e as restrições de crédito, sobretudo para o plantio de soja, provocaram as reduções.

À lista da Conab, Stephanes acrescentou o clima adverso. "Se as perdas forem de 5%, estará ótimo", disse. Apesar da queda, os técnicos da Conab lembram que a colheita em 2008/09 será a segunda melhor da história, atrás apenas da safra passada, de 143,9 milhões de toneladas. As quedas mais expressivas serão na produção de algodão e de milho, de 7,4% e 20,8% respectivamente. Os técnicos da Conab acreditam que será possível alterar o cenário para o algodão, já que o plantio vai de outubro a fevereiro, com maior concentração em dezembro e janeiro.

Para Stephanes, a queda de 20,4% na área plantada com algodão é reflexo da retração do mercado externo. Ele explicou que o governo não adotará novas medidas para estimular o plantio. "Não há como o governo intervir além do limite que já foi feito", afirmou. No entanto, o ministro disse que o governo deve anunciar nos próximos dias a criação de uma linha de crédito de R$ 2 bilhões para as cooperativas.

Sobre o abastecimento interno de milho, o ministro explicou que a redução na produção será "coberta" pelos estoques de cerca de 12 milhões de toneladas. Mas o governo terá de continuar comprando milho para evitar quedas acentuadas de preços que desestimulem o plantio no ano que vem. A preocupação, segundo ele, é em relação à safrinha do primeiro semestre de 2009.

Stephanes lembrou ainda que o governo estará atento ao ritmo de comercialização da safra de grãos, a partir de fevereiro do ano que vem. Representantes dos produtores defendem uma reformulação da política de garantia de preços mínimos. "Os instrumentos que foram utilizados até aqui serão suficientes para amenizar os impactos da crise, mas não para resolver todos os problemas."

Amanhã, Stephanes se reúne com especialistas para avaliar o impacto das medidas. "Ainda não sabemos se o governo precisará lançar outros mecanismos de apoio, mas se for preciso, faremos", comentou.

Para a safra 2009/10, Stephanes disse que provavelmente o governo terá de ofertar mais recursos a juro controlado, hoje em 6,75% ao ano, para compensar a ausência das tradings do financiamento. "O governo vai ter de adotar medidas mais claras e isso vai ocorrer por meio dos bancos oficiais", disse. Outro entrave para a próxima safra é o preço dos fertilizantes. "Com exceção do Chile, o problema é comum a todos os países da região", disse.

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