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Procura por pechinchas faz Bovespa ignorar NY e subir

A Bovespa ignorou o mau humor externo e recuperou hoje uma parte das perdas de ontem, que levaram o índice ao menor nível de pontos em quase um ano. Os preços atraentes, aliados à alta do petróleo e dos metais básicos, fizeram com que a Bolsa fechasse em alta, na contramão dos principais índices acionários globais.

Agência Estado |

O Índice Bovespa (Ibovespa) fechou em alta de 0,59%, aos 53.638,7 pontos, depois de oscilar entre a mínima de 52.345 pontos (-1,84%) e a máxima de 54.329 pontos (+1,88%). No mês, ainda acumula perdas de 9,86% e, no ano, de 10,58%. O giro financeiro somou R$ 4,599 bilhões.

Na abertura, a Bovespa acompanhou o comportamento dos pregões globais, que recuavam em reação às notícias ruins vindas do segmento financeiro norte-americano e também aos indicadores desfavoráveis à economia dos EUA. Os destaques foram a notícia de que o banco de investimentos Lehman Brothers estaria negociando a venda de sua unidade de gerenciamento de ativos para cobrir o buraco em seu balanço patrimonial; e a declaração do ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) Kenneth Rogoff de que um grande banco dos EUA poderá quebrar nos próximos meses - os cotados seriam Merrill Lynch e Wachovia, segundo afirmação de ontem do chefe de investimento do Cumberland Advisors, David Kotok.

Os indicadores norte-americanos não foram menos desanimadores: a inflação no atacado, medida pelo índice de preços ao produtor, subiu 1,2% em julho ante junho, mais que o dobro do 0,5% esperado pelos analistas. Ante julho do ano passado, o índice quase chegou a dois dígitos ao avançar 9,8%, o maior aumento desde junho de 1981.

O arremate da teoria da estagflação veio do número de construções residenciais iniciadas, que caiu 11% em julho. O dado tem o mérito de ter vindo ligeiramente melhor do que o tombo de 11,8% estimado pelos analistas, mas não se pode dizer que ele foi saudável: ficou no mais baixo nível desde março de 1991.

Com tudo isso, o dólar se enfraqueceu e o petróleo engrossou a voz. Acabou virando a queda da abertura e subiu 1,47% no fechamento na Bolsa Mercantil de Nova York. O preço final foi de US$ 114,53 por barril. Os metais acompanharam a alta. Com isso, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, terminou em queda de 1,14%, o S&P recuou 0,93% e o Nasdaq perdeu 1,35%.

O avanço das commodities (matérias-primas) serviu de desculpa para os investidores domésticos irem às compras, mas foram mesmo os preços mais do que atrativos a principal justificativa para a Bovespa subir. Os ganhos, entretanto, foram bastante reduzidos no final, por causa justamente das quedas em Nova York. Petrobras ON avançou 2,93%, Petrobras PN ganhou 3%, Vale ON subiu 1,53% e Vale PNA registrou elevação de 1,52%.

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