Os efeitos da crise financeira mundial fizeram cair a procura por crédito entre pessoas físicas e jurídicas no País. Um levantamento inédito divulgado ontem pela empresa de informações financeiras Serasa Experian revela que houve queda de 4,2% no número de consumidores que procuraram crédito em fevereiro deste ano, quando comparado com o de igual período de 2008.

Em relação ao mês anterior, a queda chega a 10,4%, porém o número não é relevante do ponto de vista econômico porque fevereiro teve três dias úteis a menos do que janeiro.

Entre as empresas, a retração foi de 4,4% em relação a fevereiro do ano passado. Sem ajuste sazonal, a comparação com janeiro de 2009 mostra um recuo de 10,8%. Já no acumulado do primeiro bimestre, o número de pessoas jurídicas que procuraram crédito foi 6,7% inferior ao de igual período de 2007, enquanto entre os consumidores a queda foi de 3,2%.

"Os números são um alerta", disse o presidente da Serasa Experian na América Latina, Francisco Valim. "O crédito responde por boa parte do crescimento econômico do País", emendou o executivo.

O economista Luiz Rabi, gerente dos indicadores de mercado da Serasa, ressaltou que a retração foi significativa, sobretudo levando-se em conta que a População Economicamente Ativa (PEA) cresce algo como 2% ao ano no Brasil.

"Se a distribuição de renda não tivesse mudado e todo mundo continuasse no mesmo comportamento de busca de crédito, a tendência seria de um aumento nesse indicador de um ano para outro e não de queda", observou Rabi. "Se a PEA cresce em torno de 2% e a demanda por crédito cai 4%, tem um intervalo aí de quase 6%."
Para ele, a explicação para a mudança de comportamento do consumidor é simples. "Com medo de perder o emprego, ele está mais cauteloso em relação a assumir compromissos de médio e longo prazos."
Esse comportamento defensivo é maior entre os consumidores de baixa renda, que recebem até R$ 500 por mês, e cuja demanda por crédito desabou 9,9% em relação a fevereiro de 2008. "Diferentemente da alta renda, esses consumidores não têm onde se segurar se perderem o emprego", disse o economista, referindo-se à falta de reservas, como poupança e patrimônio familiar.

No caso das empresas, a questão é mais complicada, segundo Rabi. Primeiro, porque a brusca freada da economia a partir de outubro levou a um forte ajuste de estoques das empresas como um todo. "Então, se uma empresa está ajustando seu estoque para um volume menor de vendas, ela precisa de menos capital de giro para financiar esse estoque e, portanto, reduz a sua demanda por crédito." Por outro lado, houve ainda uma queda na confiança do empresariado voltada para decisões de investimento.

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