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Problemas brasileiros podem virar solução na crise, dizem economistas

SÃO PAULO - O Brasil tem problemas em quantidade mais que suficiente para possibilitar um importante salto de qualidade em sua economia durante o período de crise financeira internacional. Ainda com taxa de juros e gastos públicos elevados, o país poderia fortalecer sua moeda e ganhar espaço no cenário econômico global, caso o governo derrube a Selic e opte por medidas fiscais mais restritivas.

Valor Online |

A receita foi compartilhada hoje por economistas que participaram de uma reunião extraordinária do Conselho de Planejamento Estratégico da Fecomercio, para debater os impactos da turbulência global na economia brasileira.

Líder do encontro, o presidente da RC Consultores, Paulo Rabello de Castro, disse acreditar que o Brasil "se sairá muito bem" se fizer a consolidação do real como moeda referência das transações regionais. Para isso, no entanto, terá que reduzir as taxas de juros, a carga tributária e os gastos públicos. "Enquanto não tivermos um juro normal, não tem moeda forte", disse ele, que apontou como ideal a cotação do dólar entre R$ 1,80 e R$ 2,00.

Na mesma linha, o presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Josué Gomes da Silva, afirmou que os "defeitos" da economia brasileira podem se tornar oportunidades no momento da crise, ao citar como exemplo o depósito compulsório, que considerava elevado e que pôde ser flexibilizado diante da escassez de crédito.

Adicionalmente, ele citou que a taxa de crescimento da economia chinesa não deverá ser fortemente afetada, também devido aos problemas políticos que uma desaceleração abrupta poderia acarretar no país asiático. "O chinês não vai parar de comer", disse o executivo, que relacionou o fato à oportunidade do agronegócio brasileiro continuar crescendo, também beneficiado pelo petróleo em queda.

Para o professor Yoshiaki Nakano, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o fortalecimento do real poderia levar o país a emitir dívida em moeda local, fator considerado chave pelo economista para "sermos um país de cidadania mundial". Ele também defendeu uma taxa de câmbio competitiva (entre R$ 1,80 e R$ 2,00) e a zeragem do déficit nominal. "Com juro alto, vamos na direção oposta a isso. O BC faz um esforço tremendo para manter a moeda fraca", alfinetou Nakano.

(Murillo Camarotto | Valor Online)

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