RIO - Os problemas ambientais estão na agenda do dia de 90,6% dos 5.564 municípios brasileiros que, de acordo com os dados da Pesquisa de Informações Municipais (Munic), divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), informaram a ocorrência freqüente de alguma alteração ambiental em 2008.

Entre os problemas mais citados pelos 5.040 municípios que sofreram algum impacto estão as queimadas, o desmatamento e o assoreamento de cursos d´água.

A pesquisa mostra ainda que, apesar dos impactos ambientais, apenas um terço dos municípios do país dispõe de recursos financeiros específicos para ações na esfera ambiental e menos de 20% tem uma estrutura adequada para lidar com a questão do ambiente.

Em média, foram informados 4,4 problemas ambientais por município, e apenas sete municípios informaram a ocorrência simultânea de todos os impactos ambientais: Bannach (PA), Marabá (PA), Tupiratins (TO), Bela Cruz (CE), Santa Maria da Serra (SP), Novo Machado (RS) e Luiziânia (GO). Por outro lado, 522 municípios (9,4%) disseram não ter sofrido nenhum problema ambiental de forma freqüente. Os municípios sem ocorrência de impacto ambiental têm uma maior presença relativa entre os de menor população, principalmente entre aqueles com até 5 mil habitantes (17,6% dos municípios nessa faixa). As regiões Sudeste (11,8% dos municípios) e Sul (11,6%) apresentam os maiores percentuais de municípios que não informaram a ocorrência de impactos ambientais constantes.

Minas Gerais (99 municípios), São Paulo (97), Paraná (59) e Rio Grande do Sul (49) são os estados com as maiores quantidades de municípios sem a ocorrência de problemas ambientais. Porto Alegre é o único município com população acima de 500 mil habitantes a fazer parte esse grupo.

Queimadas (3.018, ou 54,2% dos municípios), desmatamento (2.976, ou
53,5%) e assoreamento de cursos d´água (2.950, ou 53%) foram os impactos no meio ambiente mais apontados pelos gestores municipais.

As queimadas foram relativamente mais apontadas nas regiões Norte (74,2% dos municípios) e Centro-Oeste (62,4%), enquanto o desmatamento também foi apontado de forma expressiva no Norte (71% dos municípios) e no Nordeste (64,8%) do país. O assoreamento de algum corpo d´água foi predominante entre os municípios do Centro-Oeste (63,3%) e Sudeste (60,2%).

A poluição da água foi mais informada por municípios das regiões mais urbanizadas e economicamente mais desenvolvidas: Sudeste (43,6% dos municípios) e Sul (43,2%). Já a escassez de água foi mais apontada pelos municípios do Sul (53,5%) e do Nordeste (52,3%). Já a contaminação do solo foi mais citada pelos municípios das regiões Nordeste (27,1%) e Sul (25,9%), enquanto a poluição do ar predominou no Norte (36,3% dos municípios) e no Centro-Oeste (29%).

(Rafael Rosas | Valor Online)

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